No final do ano passado, desembarcamos em Balneário para palestrar no CONED, o maior evento de influência digital do país. Foram dois dias intensos, de entrega total e alma exposta, que nos deixaram com uma necessidade surreal de desconexão. E, embora a gente ame aquele pedaço de paraíso, dessa vez descobrimos um lugar recém-inaugurado — ou melhor, que abriu as portas especialmente para nos receber: a Casa Santo Mar, em Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
Como somos habitués da Ilha há anos, confesso que nunca tínhamos pensado em nos hospedar para aqueles lados. Santo Antônio sempre foi destino de almoços e jantares, mas ficar por ali nunca tinha passado pela nossa cabeça. Saímos de Balneário Camboriú direto para lá e, logo na entrada, veio o primeiro choque: aquelas ruas históricas de paralelepípedo, tão bucólicas, já funcionaram como um interruptor de “off” para o caos. O visual das casas coloniais nos transporta direto para os Açores, conectando a gente com a história viva da cidade.
Do outro lado da rua, o espetáculo: um pôr do sol de tirar o fôlego, com aquela água calminha sendo beijada pelos últimos raios de sol. Que privilégio viver esse espetáculo da natureza.
O “achadinho” perfeito
A casa, que antes abrigava um restaurante, foi reformada com uma perfeição rara. Mantiveram as características locais por fora, mas por dentro o design é super contemporâneo. Sabe aquela euforia de ter encontrado um tesouro, o famoso “achadinho”? Foi exatamente o que sentimos.
Nossa expectativa já era alta, porque conhecemos o histórico da idealizadora, a fotógrafa e empresária Giovanna Meyer. Nossa amiga de longa data, a Gio é uma exímia conhecedora do universo wellness mundo afora. Inclusive, no dia em que chegamos, ela estava embarcando para uma imersão de um mês entre China e Coreia, realizando o sonho de toda mulher que se preze: mergulhar no beauty & wellness coreano.
A casa é dividida em dois apartamentos que são verdadeiros templos de autocuidado. Estávamos equipadas com:
- Sauna infravermelha privativa e jacuzzi: para derreter o cansaço do palco.
- Rituais de beleza: aromaterapia, cromoterapia e mimos como máscaras de ouro e poções para beber e dormir bem.
- O sono: por falar em dormir, a cama é um espetáculo à parte. Apagamos por dois dias consecutivos. Sabe aquele sono pesado, em que você acorda no meio da noite sem saber onde está? Exatamente assim.
A vida em Santo Antônio
Como somos adeptas da literalidade, resolvemos viver o entorno. A ideia era não encostar no carro para quase nada. Recebemos ostras frescas direto na casa, fomos a pé até a feirinha de artesanato (estilo a nossa Benedito Calixto), que acontece aos domingos, e contemplamos o pôr do sol cinematográfico todos os dias.
A gastronomia local é um mergulho à parte. Fomos ao Rosso, do chef Alysson Müller, um clássico. Ligamos para o nosso amado Carlos Bertolazzi, que é habitué e amigo pessoal do Alysson, e não deu outra: fomos recebidas de forma incrível. Provamos a ostra mais fresca e suculenta da vida, além do polvo clássico do Rosso, com uma textura digna de Michelin. O siri azul de entrada foi o preferido do baby Leon, imagina a cena: ele, com 16 meses, comendo siri pela primeira vez e amando.
Para fechar o domingo com um entretenimento mais animado, fomos ao Fish&Co, do nosso querido Peterson Ungaretti (que está à frente de grandes hotspots da cidade). O almoço por lá é animadíssimo, cheio de gente linda e bronzeada. O menu, assinado pelo badalado chef Emerson Kim, tem uma ênfase japonesa espetacular. Pedimos uma ostra com granité de maçã que estava divina e uma massa com lagosta e trufas que trouxe camadas surreais para a experiência. Para acompanhar, provamos um rosé da Vinícola Thera, que deu um orgulho imenso de ser brasileiro.
Terminamos o dia de volta à casa, fazendo uma última sauna e contemplando o mar de dentro da banheira quentinha. Só conseguíamos agradecer por nosso trabalho nos proporcionar experiências tão autênticas e por podermos compartilhar esses pormenores com vocês. Afinal, ser é muito melhor do que ter.
Fotos: Arquivo Pessoal