Henrique Fogaça completa 52 anos e faz balanço da carreira entre gastronomia, negócios e vida pessoal

Henrique Fogaça chega aos 52 anos, celebrados no dia 1º de abril, reunindo muitos “Fogaças” em um só. Empresário, chef, músico, jurado do MasterChef e pai apaixonado de Olívia, João e Maria, ele construiu uma trajetória marcada por personalidade forte e uma essência inegociável. À frente de negócios consolidados como o Sal Gastronomia e o gastropub Cão Véio, desenvolveu uma assinatura própria que conecta gastronomia, empreendedorismo e um estilo de vida pautado por disciplina, intensidade e autenticidade. Entre restaurantes, televisão, música e novos projetos, segue em constante reinvenção, sem abrir mão de quem é.

O GLMRM bateu um papo com Fogaça sobre essa trajetória multifacetada e sobre os caminhos que o trouxeram até aqui, incluindo projetos que extrapolam a cozinha e tocam diretamente sua vida pessoal. Esse é o caso da Komunidade, plataforma que nasceu de uma vivência íntima e transformadora. Sua filha Olívia, hoje com 19 anos, nasceu com uma síndrome rara, ainda sem diagnóstico preciso, e enfrentou por anos crises convulsivas severas. Após diversas tentativas com terapias convencionais, foi no canabidiol (CBD) que a família encontrou uma melhora significativa em sua qualidade de vida.

A partir dessa experiência, Fogaça idealizou a Komunidade como uma forma de ampliar o acesso ao tratamento com cannabis medicinal no Brasil, conectando pacientes a médicos especializados, oferecendo produtos de alto padrão a preços mais acessíveis e contribuindo ativamente para um debate mais amplo, responsável e inclusivo sobre saúde e bem-estar.

Ao completar 52 anos, que balanço você faz da sua trajetória até aqui?

Eu vejo uma construção muito sólida, mas que veio de um processo duro. Nada na minha vida foi fácil ou imediato. Sempre foi na base da insistência, do trabalho pesado e de muitas quedas. Hoje, quando olho pra trás, não vejo só conquistas, vejo consistência. Eu consegui construir uma carreira com identidade, sem precisar me moldar ao que esperavam de mim, e isso é uma das maiores vitórias. Chegar aos 52 com essa clareza de quem eu sou e com vontade de continuar evoluindo é o que mais me satisfaz.

Você transita entre gastronomia, televisão, música e negócios. Como consegue manter coerência em caminhos tão diferentes?

Porque, no fundo, não são caminhos tão diferentes assim. Tudo parte do mesmo lugar, que é a minha essência. Eu nunca entrei em nenhum projeto pensando só em oportunidade, sempre teve que fazer sentido pra mim. Na cozinha, eu sou intenso, disciplinado, detalhista. Na música, com o Oitão, isso também aparece, só que de outra forma, mais visceral. Nos negócios, eu aplico a mesma lógica: construir algo verdadeiro, que tenha identidade e consistência. Acho que o segredo está em não se fragmentar, eu não sou um personagem em cada área, eu sou o mesmo cara em todas elas. Isso cria uma linha contínua.

A paternidade é um dos pilares da sua vida. Como ela te transformou ao longo dos anos?

A família é minha base, é o que me sustenta, o que me coloca no eixo. Eu tenho muito orgulho dos meus filhos, de verdade. Ver a Olívia, o João e a Maria crescendo, formando personalidade, se tornando pessoas incríveis, cada um do seu jeito, é algo que não dá pra explicar direito, é muito forte. A gente vive numa rotina intensa, corrida, mas eu faço questão de estar presente, de acompanhar, de participar. A paternidade me ensinou muito sobre responsabilidade, mas também sobre sensibilidade, sobre escutar. Meus filhos me transformaram como homem, eles me lembram diariamente do que realmente importa.

A Komunidade nasce de uma experiência muito pessoal. Como foi transformar essa vivência em um projeto estruturado?

Foi um processo muito forte. Quando você passa anos buscando alternativas pra melhorar a qualidade de vida da sua filha e encontra uma resposta que funciona, isso muda tudo. No caso da Olívia, o canabidiol trouxe uma melhora real nas crises convulsivas, algo que a gente não tinha conseguido com outros tratamentos. Só que, ao mesmo tempo, eu percebi o quanto o acesso é difícil, caro e cercado de desinformação e preconceito. A Komunidade nasce dessa vontade de mudar esse cenário. Eu não estou sozinho nisso, tenho ao meu lado meus sócios Gustavo Galvão e Wesley Teixeira, que compartilham dessa visão e ajudam a estruturar tudo com muita seriedade. A ideia é criar uma ponte que conecta pacientes a médicos, oferecer produtos de qualidade com mais acessibilidade e, principalmente, trazer informação responsável. É um projeto que carrega verdade, porque nasceu de uma vivência real.

Depois de tantas conquistas, o que ainda te provoca e o que você quer construir daqui pra frente?

O que me provoca é a evolução constante, eu não tenho interesse em ficar confortável. Quero continuar expandindo meus negócios, fortalecendo minhas marcas, criando coisas novas, mas sempre com consistência. E, claro, seguir presente na vida dos meus filhos, que é o que realmente importa no fim das contas. Na vida, a gente vai percebendo que o tempo passa rápido, é o que você construiu nas relações, é o que você viveu de verdade.

Fogaça e os filhos

Se você pudesse conversar com o Fogaça criança, o que diria pra ele?

Eu diria pra ele confiar mais no próprio instinto e não tentar se encaixar tanto. Eu sempre fui um moleque inquieto, meio fora do padrão, e por muito tempo isso parecia um problema, hoje eu vejo que era exatamente o que me diferenciava. Falaria também que o caminho não vai ser fácil, que vão existir muitas dúvidas, quedas, mas que tudo isso vai construir um cara forte, resiliente e com identidade. E, talvez o mais importante, diria pra ele valorizar mais o tempo, com a família, com as pessoas que estão por perto. Porque lá na frente ele vai entender que é isso que sustenta tudo.

 

Fotos: Divulgação

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