Em um cenário em que a maternidade ainda costuma ser associada a pausas profissionais e renúncias, a trajetória de Juliana Cascaes segue um caminho diferente. Reconhecida por desenvolver projetos residenciais de alto padrão no Brasil e no exterior, incluindo trabalhos na Suíça e em condomínios de luxo no interior de São Paulo, a arquiteta construiu sua carreira ao mesmo tempo em que atravessava uma das experiências mais transformadoras da vida: tornar-se mãe.
Foi aos 23 anos, logo após se formar em arquitetura, que Juliana viu sua rotina mudar com a chegada da primeira filha. Menos de dois anos depois, nasceu a segunda. Em vez de interromper o percurso profissional, ela decidiu reorganizá-lo.
Entre adaptações de agenda, jornadas reduzidas e uma rotina marcada por disciplina, continuou trabalhando, investindo em formação e consolidando sua atuação no mercado.
Maternidade sem interrupção da carreira
Mesmo diante das mudanças impostas pela maternidade, Juliana manteve o movimento profissional contínuo. Durante esse período, ingressou em uma pós-graduação enquanto cuidava da primeira filha e concluía a gestação da segunda.
O ritmo desacelerou em alguns momentos, mas a conexão com a profissão permaneceu constante. Ao longo dos anos, essa continuidade ajudou a consolidar uma trajetória sólida, refletida hoje em um escritório próprio, equipe estruturada e projetos voltados a um público de alto padrão.
Além disso, a independência financeira conquistada através da carreira teve papel decisivo em escolhas importantes da vida pessoal. Entre elas, a mudança para São Paulo ao lado das filhas pequenas, após a separação, em busca de novas oportunidades profissionais.
Um novo olhar sobre morar
A maternidade também transformou sua forma de pensar arquitetura. Questões ligadas à funcionalidade, circulação, segurança e dinâmica familiar passaram a ocupar espaço central no desenvolvimento dos projetos.
Mais do que criar ambientes esteticamente sofisticados, Juliana passou a desenhar espaços conectados à experiência cotidiana e às relações familiares.
Hoje, aos 36 anos, a arquiteta divide a gestão do escritório com uma presença ativa na rotina das filhas. Organização, disciplina e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal fazem parte da estrutura construída ao longo dos anos.
“Não se trata de uma equação simples, mas de uma escolha contínua. Muitas pessoas persistem na ideia de que filhos podem limitar o crescimento profissional, mas para mim, é motivo de inspiração”, afirma Juliana.
Sua trajetória reflete uma mudança mais ampla na forma como muitas mulheres vêm enxergando realização profissional e maternidade: não mais como caminhos excludentes, mas como construções que podem coexistir, ainda que de maneira desafiadora, através de tempo, adaptação e continuidade.