Entre livros, caminhadas pela cidade e trabalhos feitos à mão, a Louis Vuitton levou a Xangai uma experiência que colocou a literatura no centro de sua relação com viagem e cultura. Batizado de La Bibliothèque, o espaço temporário ocupou a Yuyuan Road, endereço conhecido por sua ligação com a história literária da cidade.
Mais do que funcionar como uma livraria ou uma instalação de marca, o projeto propôs uma programação baseada em três movimentos: ler, explorar e criar. Assim, os visitantes puderam conhecer publicações, percorrer a região e participar de atividades como encadernação, serigrafia, produção de carimbos e escrita de cartas.
A escolha do endereço também fez parte da narrativa. Arborizada e cercada por construções históricas, a Yuyuan Road mantém uma atmosfera diferente das áreas mais comerciais de Xangai. A região aparece ainda associada à vida intelectual da cidade e aos cenários presentes na obra da escritora chinesa Eileen Chang.
Literatura como parte da viagem
A aproximação da Louis Vuitton com os livros acompanha a própria construção de seu universo ligado às viagens.
No fim do século 19 e ao longo das décadas seguintes, deslocar-se por diferentes cidades passou a representar não apenas uma experiência geográfica, mas também uma maneira de registrar, observar e interpretar o mundo. Essa relação permanece presente em projetos editoriais da maison, entre eles as séries City Guide e Fashion Eye.
Um episódio histórico também ganhou destaque em La Bibliothèque. Em 1927, Ernest Hemingway encomendou à Louis Vuitton um Library Trunk, criado especialmente para transportar livros. Anos depois, a peça voltou a ser lembrada ao reaparecer junto a materiais ligados ao manuscrito de Paris é uma Festa.
Quase um século depois, essa conexão entre leitura e deslocamento serviu como um dos pontos de partida para o projeto em Xangai.
Um diálogo com a cena literária local
Em vez de simplesmente transportar para a China referências dos tradicionais salões culturais europeus, a iniciativa procurou incorporar a própria identidade da cidade.
Para isso, a Louis Vuitton trabalhou com as livrarias locais Baixin Bookstore, Archipelago Bookstore e Paper Moon Bookstore, responsáveis por colaborar na seleção de títulos relacionados a viagens, literatura, arte e vida urbana.
O espaço também ganhou um Reading Journal, reunindo sugestões de leitura, percursos pela cidade e conteúdos voltados à descoberta da região. Dessa forma, a experiência extrapolava o interior do projeto e convidava o visitante a olhar novamente para as ruas ao redor.
Da leitura para o fazer
A parte prática ocupou um espaço importante na programação. Depois do contato com livros e referências visuais, os visitantes podiam transformar essas inspirações em objetos próprios.
Oficinas de encadernação, impressão, criação de carimbos e escrita manual resultavam em pequenos cadernos, cartões e lembranças produzidas durante a visita.
Durante o Festival do Meio do Outono, o espaço recebeu ainda uma atividade dedicada à escrita de poesia, reforçando a proposta de aproximar a experiência da expressão pessoal e do ritmo mais contemplativo associado à leitura.
Com La Bibliothèque, a Louis Vuitton acrescentou mais um capítulo às iniciativas que aproximam moda, arte, literatura e cidades. Em Xangai, a viagem deixou de aparecer apenas como deslocamento e passou também pela possibilidade de descobrir um lugar por meio de seus livros, histórias e pequenos rituais criativos.
Fonte: WWD