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A marcenaria deixou de ocupar apenas uma função prática na casa. Na CASACOR São Paulo 2026, em cartaz até 9 de agosto, no Parque da Água Branca, ela ganha protagonismo e passa a conduzir a arquitetura, a circulação e até a maneira como os moradores se relacionam com os ambientes.

Cozinhas, estantes, closets e painéis surgem como elementos capazes de integrar espaços, organizar a rotina e criar atmosferas. Mais do que guardar objetos, as soluções planejadas ajudam a traduzir diferentes estilos de vida, do desejo de receber amigos à busca por uma casa mais funcional e acolhedora.

Ao longo da mostra, madeira, acabamentos naturais, linhas curvas e sistemas multifuncionais apontam para uma mudança na forma de pensar os interiores. A casa contemporânea aparece menos dividida por funções rígidas e mais aberta ao encontro, à convivência e à adaptação.

A cozinha como lugar de convivência

Na Casa Coral Celeiro Alvorada, assinada pelo arquiteto Nildo José, a cozinha ocupa uma posição central e se conecta à biblioteca, à sala de jantar e aos espaços de estar. A marcenaria da Evviva São Paulo acompanha essa proposta ao transformar o ambiente em um ponto de encontro.

Grandes planos de madeira, curvas e soluções desenhadas sob medida criam uma composição contínua. Já o acabamento Old Brass, desenvolvido especialmente para a mostra, acrescenta profundidade ao mobiliário.

A proposta reflete um modo de vida no qual cozinhar, conversar, receber e compartilhar a mesa fazem parte de uma única experiência. Assim, a cozinha deixa de ser uma área isolada e passa a organizar a dinâmica social da casa.

Ambientes que acompanham diferentes rotinas

A flexibilidade também aparece nos três projetos com soluções da Ornare, assinados por Dado Castello Branco, Paula Neder e Túlio Xenofonte. Cozinhas, closets e áreas integradas exploram sistemas que permitem adaptar os espaços a diferentes necessidades.

Linhas como Crystal Case, Wall System, Shaker, Mech e Stow mostram como a organização pode contribuir para a leitura visual dos ambientes. Ao reduzir excessos e manter os objetos em seus lugares, a marcenaria cria uma sensação de continuidade e tranquilidade.

Essa abordagem acompanha uma rotina cada vez mais dinâmica. Os ambientes precisam responder a diferentes usos ao longo do dia, sem perder a unidade estética ou o conforto.

O retorno da madeira natural

Na Casa Simonetto – Tributo à Janete Costa, de Gabriel Fernandes, a matéria-prima orienta toda a experiência. A lâmina natural de pau-ferro aparece ao lado de acabamentos em tom Caramelo e detalhes cuidadosamente desenhados.

A escolha reforça o interesse por texturas, tonalidades quentes e materiais que mantêm visíveis seus veios e particularidades. Em vez de superfícies impessoais, a madeira introduz memória, aconchego e uma relação mais sensorial com a decoração.

O projeto também evidencia a valorização do feito sob medida. A personalização permite que os móveis respondam à arquitetura e aos hábitos de quem ocupa a casa, criando espaços menos padronizados.

Inteligência para espaços compactos

Em uma planta de 53 metros quadrados, a Casa Origens, do Studio Costa + Azevedo, mostra como a marcenaria pode ampliar a percepção de espaço. As soluções da Criare percorrem o estúdio com uma linguagem contínua e ajudam a conectar os diferentes ambientes.

Uma estante autoral com cruzetas de aço inox se destaca na composição e demonstra que funcionalidade e personalidade podem coexistir. Nesse tipo de projeto, cada elemento precisa assumir mais de uma função e, ao mesmo tempo, contribuir para a identidade visual do espaço.

A proposta reflete um desafio comum à vida urbana: criar casas compactas que permaneçam confortáveis, organizadas e abertas a diferentes usos.

Madeira, ritmo e experiência sensorial

No ambiente A Poética do Ritmo, assinado por Isabella Nalon, a madeira conduz o percurso desde o pórtico de entrada. A marcenaria da Todeschini Arte Design ajuda a construir uma atmosfera marcada por acolhimento, textura e continuidade.

Em vez de aparecer apenas nos móveis, o material participa da arquitetura e influencia a percepção do ambiente. A presença da madeira cria uma sensação de calor e aproxima o projeto de referências naturais e da materialidade brasileira.

Essa escolha revela uma busca crescente por interiores que despertem sensações. A decoração deixa de ser apenas visual e passa a envolver toque, luz, textura e memória.

Uma casa mais integrada à vida

Os projetos apresentados na CASACOR São Paulo 2026 mostram que a marcenaria acompanha transformações importantes no modo de morar. Os ambientes se tornam mais integrados, as funções se sobrepõem e os móveis passam a responder a rotinas que exigem flexibilidade.

Ao combinar organização, materiais naturais e soluções personalizadas, os planejados contribuem para casas menos rígidas e mais próximas da vida real. Mais do que definir onde guardar cada objeto, a marcenaria ajuda a criar espaços para cozinhar, receber, descansar e compartilhar.

Fotos: Divulgação

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