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Foto: Divulgação Netflix

O retorno de Emily em Paris marca mais do que uma nova temporada: sinaliza uma mudança clara na forma como moda, narrativa e comportamento se entrelaçam. Na quinta temporada, a série acompanha um amadurecimento visível da protagonista, refletido tanto em suas escolhas pessoais quanto no figurino. Após anos em Paris, Emily amplia sua vivência europeia e passa a circular por cidades italianas como Veneza e Roma — deslocamento que se traduz diretamente na estética apresentada em cena.

A moda segue expressiva e ousada, mas agora ganha uma leitura mais refinada. Silhuetas bem construídas, tecidos mais imponentes e uma paleta cromática pensada com maior consciência indicam uma evolução estética que acompanha o desenvolvimento da personagem. As produções continuam chamativas, porém incorporam uma elegância mais atemporal, reforçando o vestir como linguagem cultural e não apenas como impacto visual.

Referências ao cinema italiano dos anos 1950 surgem de forma sutil, seja no uso do preto e branco clássico, nas estampas de póas ou em construções que remetem a ícones como Sophia Loren e Claudia Cardinale. Ao mesmo tempo, ecos da estética francesa de Saint-Germain-des-Prés aparecem como pano de fundo, reforçando a conexão histórica entre moda, arte e comportamento. O resultado é uma narrativa visual que equilibra passado e presente, tradição e modernidade, propondo um luxo menos literal e mais simbólico.

Esse movimento dialoga diretamente com o desejo contemporâneo de consumo. O sucesso da série evidencia uma mudança já perceptível no mercado: cresce o interesse por peças que comunicam identidade. O luxo deixa de ser silencioso para se aproximar de excessos visuais bem calculados, que despertam emoção, personalidade e memória. Tecidos, cores e modelagens passam a carregar significado e acompanham diferentes momentos da rotina, equilibrando conforto e presença.

Para marcas que entendem a moda como reflexo do comportamento social, essa leitura cultural se torna essencial. Segundo Ana Paula Aguiar, diretora criativa da Deep, o interesse crescente por referências como as da série reforça o papel do vestir como expressão individual. “Quando a moda se conecta à narrativa e ao comportamento, ela deixa de ser apenas estética e passa a fazer parte da forma como as pessoas se posicionam no mundo. O vestir ganha intenção, identidade e significado”, afirma.

Ao sair da tela e ocupar as ruas, a moda apresentada em Emily em Paris se transforma em referência cotidiana. O figurino deixa de ser espetáculo e passa a influenciar escolhas reais, inspirando combinações de cores, tecidos e silhuetas no dia a dia. Cafés, ambientes de trabalho e espaços urbanos se tornam cenários de expressão pessoal, onde o consumo de moda se conecta ao desejo de comunicar sem palavras.

Assim, a moda apresentada na série se consolida não apenas como entretenimento visual, mas como um espelho do nosso tempo — um território onde luxo, identidade e comportamento se encontram e ganham significado na vida real.

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