Quando espaço e silêncio viram luxo, o campo ganha uma nova arquitetura

Em um momento em que tempo, silêncio e espaço parecem cada vez mais raros, morar no campo ganha outro significado. Menos ligado a uma ideia nostálgica de refúgio e mais próximo de uma escolha de estilo de vida, esse movimento aparece no novo Boa Vista Estates, inaugurado no último sábado (26), com arquitetura de Sig Bergamin e Murilo Lomas e paisagismo de Maria João d’Orey.

O projeto ocupa aproximadamente sete milhões de metros quadrados, destinados a apenas 250 famílias. A escala permite que a paisagem seja tratada como parte essencial da arquitetura, com grandes distâncias entre construções, jardins amplos, percursos e vistas preservadas.

“Você consegue criar distância entre as coisas, criar percursos, jardins que realmente têm escala. E hoje espaço, silêncio e horizonte são luxos enormes”, afirma Sig Bergamin.

Essa ideia orienta boa parte do empreendimento. Em vez de concentrar o projeto apenas nas residências, os arquitetos trabalharam o território como um conjunto. Topografia, vegetação e áreas abertas ajudam a estabelecer uma relação mais fluida entre construído e natural.

Uma leitura contemporânea da vida no campo

Madeira, pedra, vidro e água aparecem entre os materiais escolhidos, enquanto grandes aberturas criam continuidade entre interior e exterior. A intenção não é reproduzir a imagem tradicional de uma casa de campo, mas traduzir elementos desse universo para uma linguagem atual.

“Tem distância, silêncio, horizonte, natureza, cavalo, golfe… você realmente sente espaço. E não é uma visão nostálgica da vida no campo. É pegar essa tradição e trazê-la para uma maneira muito atual de viver”, explica Sig.

Nos interiores, essa mistura também acontece por meio do mobiliário. Peças das décadas de 1940, 1950 e 1960 convivem com desenhos contemporâneos, enquanto materiais como madeira, pedra, veludo e tecidos gráficos criam diferentes camadas nos ambientes.

Para Murilo Lomas, a baixa ocupação foi determinante para o desenvolvimento do projeto. “O Estates parte de uma condição de território muito particular. Estamos falando de cerca de sete milhões de metros quadrados pensados para apenas 250 famílias. Essa baixa densidade muda completamente a relação entre arquitetura, paisagem e privacidade.”

Murilo Lomas e Sig Bergamin

Do cavalo ao wellness

O conceito de vida no campo também aparece na infraestrutura. O empreendimento reúne golfe, Country Club, wellness, espaços esportivos, gastronomia e Equestrian Center, concentrados em um núcleo de convivência.

No centro equestre, cocheiras, pátios, picadeiros e jardins retomam referências de grandes propriedades ligadas ao universo dos cavalos, mas com desenho contemporâneo e integração direta à paisagem.

Mais do que propor uma estética específica, o Boa Vista Estates parece partir de uma mudança de prioridade: trocar excesso por respiro, proximidade urbana por horizonte e velocidade por uma relação mais desacelerada com o tempo.

Nesse cenário, talvez o verdadeiro luxo esteja justamente no que não precisa ser preenchido.

 

Fotos: Divulgação

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