Crescer em Copacabana é aprender, desde cedo, que o Rio de Janeiro não é só cenário, é rotina, afeto e memória. No verão, essa relação fica ainda mais intensa. A cidade se expande para fora de casa, os dias começam cedo e quase sempre terminam tarde. Este é um roteiro pessoal, feito a partir dos lugares que atravessaram minha infância, adolescência e continuam presentes na vida adulta.
Costumo começar pelo Forte de Copacabana. Faz parte da minha história caminhar até lá, observar a praia de outro ângulo e sentar sem pressa para um café ou uma água de coco, vendo o movimento da orla. É um programa simples, mas muito simbólico para quem cresceu nesse pedaço da cidade. Dali, estender o caminho até o Arpoador é quase natural. Ver o encontro do mar com a pedra, observar os surfistas e sentir o ritmo do bairro é um lembrete claro de como o Rio se vive, sobretudo, ao ar livre.
De lá, sigo para a Urca, um dos lugares mais charmosos e ainda surpreendentemente tranquilos do Rio. Caminhar pelas ruas, chegar até a mureta e sentar olhando os barcos, com o Pão de Açúcar ao fundo, é um hábito antigo. Um daqueles programas que nunca cansam e sempre renovam o olhar sobre a cidade.
O domingo tem um ritual próprio. Com a pista fechada, caminhar pela orla, saindo de Copacabana e indo até o final do Leblon, é quase obrigatório. É quando o Rio mostra sua versão mais democrática: famílias, atletas, turistas, moradores, todos dividindo o mesmo caminho, no mesmo ritmo. O Leblon, eternizado como cenário das novelas de Manoel Carlos, segue sendo esse lugar onde o cotidiano carioca ganha narrativa própria entre o mar, os encontros e a vida acontecendo sem pressa.
Outro programa que traduz bem essa ideia de cidade ao ar livre é a Lagoa Rodrigo de Freitas no fim da tarde. Caminhar, pedalar ou simplesmente sentar para uma água de coco enquanto o sol baixa é um clássico que atravessa gerações e estações. A Lagoa funciona como um grande respiro urbano, onde o Rio desacelera sem perder o movimento.
Quando bate a vontade de trocar o azul do mar pelo verde, escolho entre o Parque Lage e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. São refúgios perfeitos para caminhar, respirar fundo e lembrar que o Rio também é floresta, silêncio e sombra fresca em dias quentes.
Alguns lugares seguem sendo essenciais, mesmo para quem nasceu aqui. O Cristo Redentor continua emocionando, não importa quantas vezes se vá. O Pão de Açúcar é daqueles programas que sempre recomendo, especialmente no fim de tarde, quando a luz muda e a cidade parece suspensa.
O Maracanã faz parte do imaginário carioca desde sempre. Mesmo para quem não é fanático por futebol, estar ali ajuda a entender a dimensão cultural e afetiva do esporte no Brasil. Em dias de clássicos entre Flamengo, Fluminense, Botafogo ou Vasco, a experiência ganha ainda mais intensidade, com a paixão da torcida tomando conta do entorno.
Na Zona Portuária, gosto de incluir programas que equilibram cultura e lazer. O Museu do Amanhã provoca reflexão, enquanto o AquaRio e o BioParque do Rio são ótimas opções para dias de verão, especialmente em família. E, para quem quiser um leve desvio de olhar, sem sair completamente desse espírito carioca, o bairro de Santa Teresa surge como contraponto boêmio e artístico, com suas ladeiras, ateliês e uma atmosfera que revela outro ritmo da cidade.
Esse é o Rio que eu conheço e amo: vivido sem pressa, com olhar atento e muita conexão com a paisagem. Um roteiro que não pretende dar conta de tudo, apenas mostrar a cidade a partir de quem cresceu nela.