De olho em Paris e nos Jogos Olímpicos de 2028, médico aposta no acesso como chave do alto rendimento

O ortopedista Dr. César Janovsky está à frente do Instituto Transforma Esporte | Foto: Acervo

No universo sofisticado da medicina esportiva, onde cada decisão pode definir o futuro de uma carreira, um projeto brasileiro começa a ganhar protagonismo ao unir técnica, estratégia e impacto social. À frente do Instituto Transforma Esporte, o ortopedista especialista em joelho Dr. César Janovsky tem se dedicado a recuperar atletas que ficaram à margem do alto rendimento após lesões mal conduzidas ou sem tratamento adequado.

A iniciativa nasceu de uma constatação recorrente nos centros cirúrgicos. “A diferença entre um atleta da elite e um atleta da periferia, muitas vezes, não é talento, é acesso”, afirma o médico. A partir desse diagnóstico, o projeto foi estruturado para preencher uma lacuna que ainda separa promessas esportivas das grandes competições internacionais.

Com o ciclo olímpico como referência, o instituto organiza sua atuação em períodos de quatro anos, mirando a reinserção desses atletas em competições de alto nível. O horizonte passa por eventos globais e pelo fortalecimento de trajetórias que podem chegar aos Jogos Olímpicos de 2028. “Até 2028, queremos ter atletas plenamente reabilitados, com retorno competitivo seguro e estruturado. Não é só operar, é acompanhar até a performance”, explica.

Entre as lesões mais comuns tratadas estão rupturas de ligamento cruzado anterior, lesões meniscais negligenciadas, instabilidades de ombro e fraturas mal consolidadas. Problemas que, sem intervenção adequada, costumam encerrar carreiras de forma precoce. Segundo Janovsky, o tempo sem tratamento correto é determinante para o agravamento dos quadros.

O acesso ao projeto ocorre por meio de indicações de treinadores, assessorias esportivas e projetos sociais parceiros. Mais do que talento, são avaliados o contexto social e o comprometimento com a reabilitação, etapa considerada decisiva para o retorno ao alto rendimento.

Foto: Acervo

Para viabilizar a operação, o Instituto Transforma Esporte articula parcerias com hospitais, centros médicos e empresas ligadas ao universo esportivo e ortopédico, além de captar recursos por meio de leis de incentivo e investimentos em responsabilidade social. A meta é atender entre 80 e 150 atletas até 2028, com foco inicial em modalidades de alto impacto, como futebol, atletismo, judô e esportes coletivos.

Casos acompanhados pelo médico reforçam o potencial de transformação da iniciativa. “Já atendi atletas que chegaram com indicação de procedimentos inadequados e conseguiram retornar ao esporte competitivo após o tratamento correto. O acesso à decisão médica certa pode mudar uma carreira inteira”, destaca.

Mais do que reabilitar fisicamente, o projeto atua na reconstrução de trajetórias. “Quando um jovem atleta volta a treinar, ele não está apenas recuperando o corpo. Ele retoma disciplina, autoestima, pertencimento e futuro”, diz.

Com planos de expansão e a ambição de criar uma sede própria com centro cirúrgico e estrutura integrada de reabilitação, o Instituto Transforma Esporte busca se consolidar como referência nacional. Em um cenário em que o caminho até o pódio ainda passa por barreiras invisíveis, iniciativas como essa mostram que o alto rendimento também começa no acesso.

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