Por Lívia Torres
A campanha “Eu quero veteranos na TV” ganhou força ao transformar um desejo antigo do público em um movimento amplo, reconhecido não apenas pelos telespectadores, mas também pela imprensa e pelo mercado audiovisual. Idealizada pelo empresário Marcus Montenegro, a ação defende o retorno de atores e atrizes com mais de 50 anos a papéis relevantes nas produções televisivas — e teve efeito imediato na audiência, que reagiu de forma unânime e positiva à proposta.
O engajamento do consumidor final de televisão foi decisivo para o sucesso da iniciativa. A resposta foi clara: o público quer voltar a ver, diariamente, os rostos e interpretações que ajudaram a construir a história da dramaturgia brasileira.
Nas redes sociais, esse sentimento apareceu de forma direta: “Não queremos influencers nas novelas, queremos os atores que crescemos assistindo”, escreveu uma internauta.
A campanha alcançou 100% de aprovação popular, consolidando a percepção de que experiência, técnica e carisma seguem sendo atributos centrais para a qualidade do conteúdo exibido na TV.
Mais de 75 atores veteranos participaram da mobilização, entre eles nomes consagrados como Nathalia Timberg, Stênio Garcia, Suely Franco, Nívea Maria, Ana Lúcia Torre, Beth Goulart, Ana Beatriz Nogueira, Angela Vieira, André Mattos, Luíza Tomé e Fabiana Karla.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, os artistas se unem em torno de uma mensagem simples e direta: a valorização de quem segue ativo, preparado e conectado ao público.
Além da forte adesão popular, a campanha também foi amplamente bem pelos principais agentes do mercado audiovisual. Autores de novelas e minisséries, produtores, diretores e empresários reconheceram o impacto positivo da ação e passam a enxergar o debate como uma oportunidade de fortalecimento criativo das produções. E para muitos espectadores, a iniciativa representa mais do que uma escolha artística.
“É um ato corajoso e necessário. Artistas que fizeram a base de tudo, precisamos deles sim!”, comentou outra internauta.
Quando a experiência fala mais alto
Segundo Marcus Montenegro, a repercussão confirmou algo que o público nunca deixou de demonstrar: os veteranos seguem sendo referência e afeto para quem assiste.
Eles elevam o nível artístico das produções, criam identificação imediata com a audiência e ainda atuam como mentores naturais para novos talentos”, avalia.
Esse vínculo afetivo também ficou evidente em relatos de espectadores que se afastaram da televisão nos últimos anos: “Sou da geração em que as novelas eram o auge do entretenimento. Hoje confesso que mal assisto TV, mas ver esses rostos me trouxe nostalgia e esperança”, escreveu uma telespectadora.
Para o empresário, o afastamento desses profissionais não refletiu uma perda de relevância, mas sim uma distorção provocada por decisões de mercado.
O objetivo da campanha é claro: combater o etarismo e promover justiça cultural, devolvendo aos veteranos o protagonismo compatível com suas trajetórias e ao público a qualidade artística que sempre valorizou. Mais do que nostalgia, o movimento propõe um olhar contemporâneo sobre a televisão, em que talento não tem prazo de validade e a experiência é parte fundamental da inovação.

“Grandes atores e atrizes. Estudaram e viveram para a arte. Merecem trabalhar até quando quiserem. São talentosos e merecem todo o reconhecimento”, resumiu outra seguidora.
A discussão ganhou novo fôlego entre os últimos anos, quando executivos passaram a reconhecer o impacto do tema e abrir espaço para o diálogo. Pela primeira vez, a campanha foi levada formalmente às emissoras, marcando um avanço simbólico e prático na tentativa de reequilibrar a presença de diferentes gerações na televisão. Embora os resultados ainda sejam iniciais, o tema passou a ocupar lugar definitivo na agenda do setor.
Ao colocar o público no centro da discussão, “Eu quero veteranos na TV” mostrou que a audiência reconhece, pede e apoia esse retorno. E deixou um recado direto ao mercado: valorizar quem construiu a história da dramaturgia brasileira não é um favor — é uma resposta legítima a quem nunca deixou de amar esses artistas.