Mônica Aribi – Foto Divulgação

Quando se fala em envelhecimento facial, as rugas costumam ser as primeiras alterações lembradas. No entanto, as mudanças na aparência vão muito além das linhas de expressão. Manchas, perda de firmeza, alterações no contorno do rosto e na região dos olhos também fazem parte desse processo natural.

Segundo a dermatologista Mônica Aribi, sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o envelhecimento envolve transformações tanto na superfície da pele quanto em estruturas mais profundas. Por isso, uma pessoa pode apresentar poucas rugas e, ainda assim, perceber mudanças na textura, na luminosidade e na definição facial.

“A aparência envelhecida resulta de uma combinação de mudanças que acontecem na pele e também em estruturas mais profundas, como a perda de firmeza, alterações no contorno, manchas, alterações ao redor dos olhos e redução da qualidade e da luminosidade da pele”, explica.

A seguir, a médica destaca cinco sinais que merecem atenção e apresenta algumas das abordagens utilizadas para tratá-los.

1. Manchas e alterações na tonalidade da pele

As alterações de pigmentação podem surgir antes mesmo dos primeiros sinais mais evidentes do envelhecimento. O melasma, por exemplo, pode aparecer na vida adulta jovem, especialmente nas bochechas, na testa e na região acima dos lábios.

Já as melanoses solares estão associadas à exposição acumulada à radiação ultravioleta ao longo dos anos.

De acordo com Mônica, é importante identificar a origem das manchas antes de iniciar qualquer procedimento. No caso do melasma, o tratamento busca controlar a condição e melhorar a aparência da pele, já que não existe cura definitiva.

Entre as tecnologias disponíveis está o Quadri Pico, laser que utiliza pulsos ultracurtos e diferentes comprimentos de onda em protocolos voltados à pigmentação. Entretanto, a escolha do procedimento depende do diagnóstico e das características individuais da pele.

A proteção solar diária continua sendo uma das principais medidas para prevenir o agravamento das manchas.

2. Flacidez e perda de firmeza

Com o passar dos anos, a produção e a organização de componentes como colágeno e elastina sofrem alterações. Além disso, mudanças nos tecidos mais profundos podem reduzir a sustentação facial.

Esse processo costuma aparecer na perda de definição da mandíbula, no aspecto mais pesado da parte inferior do rosto e na flacidez de determinadas regiões.

“Muitas vezes ele percebe que o rosto perdeu definição, que a mandíbula está menos marcada ou que o terço inferior parece mais pesado. Esses também são sinais do processo de envelhecimento”, afirma a dermatologista.

Entre os recursos utilizados estão tecnologias de ultrassom focado, como o Linear Z, que busca estimular a remodelação dos tecidos e melhorar gradualmente a firmeza.

Em situações selecionadas, os Fios Aptos podem auxiliar no reposicionamento dos tecidos. Já tecnologias como o Zye Laser são utilizadas em protocolos voltados à qualidade superficial da pele.

3. Bolsas e mudanças na região dos olhos

A região dos olhos também influencia a percepção de idade. Bolsas nas pálpebras inferiores, excesso de pele e alterações no contorno podem transmitir uma aparência de cansaço, mesmo quando o rosto apresenta poucas rugas.

Entretanto, essas características nem sempre estão relacionadas ao envelhecimento. Fatores genéticos, particularidades anatômicas e retenção de líquidos também podem contribuir para seu aparecimento.

“É uma área em que precisamos diferenciar muito bem o que é alteração de pele, o que é flacidez e o que é uma característica anatômica, como a protrusão das bolsas de gordura. Cada situação exige uma estratégia diferente”, explica Mônica.

Dependendo da avaliação, tratamentos a laser podem ser considerados para melhorar a qualidade da pele ao redor dos olhos. Já bolsas causadas por alterações nas estruturas de gordura exigem uma avaliação específica e podem demandar outras abordagens.

Por se tratar de uma região delicada, procedimentos invasivos ou injetáveis próximos aos olhos requerem atenção especial aos riscos e à segurança.

4. Perda de luminosidade e textura irregular

Nem sempre o envelhecimento aparece na forma de rugas profundas. Poros mais aparentes, irregularidades na textura e perda de luminosidade também podem modificar o aspecto da pele.

Com o tempo, a renovação celular e a organização das estruturas cutâneas passam por mudanças que podem contribuir para uma aparência menos uniforme.

Para esses casos, a dermatologista menciona procedimentos que atuam em diferentes camadas da pele.

O Hydrafacial, por exemplo, combina limpeza, esfoliação, extração e hidratação em um protocolo não invasivo. Já o Laser ME, tecnologia fracionada não ablativa de 1470 nm, pode ser utilizado em tratamentos voltados à textura, às linhas finas e à qualidade cutânea.

A indicação deve considerar o tipo de pele, o histórico do paciente e os resultados esperados.

5. Mudanças no contorno e na estrutura facial

A alteração do desenho do rosto é outro sinal que pode passar despercebido. A perda de definição da mandíbula, as mudanças na região das maçãs do rosto e a flacidez na parte inferior da face modificam gradualmente as proporções faciais.

Segundo Mônica, essas transformações exigem uma avaliação que considere o rosto de maneira tridimensional, observando a relação entre pele, gordura, músculos e outras estruturas de sustentação.

A combinação de procedimentos pode ser uma alternativa em determinados casos, desde que exista indicação clínica. Tecnologias voltadas à firmeza, à textura e à pigmentação, assim como métodos de reposicionamento tecidual, podem integrar o planejamento individualizado.

Tratamentos devem respeitar as características individuais

Embora existam diferentes recursos para amenizar os sinais do envelhecimento, a avaliação dermatológica é fundamental para identificar as necessidades de cada paciente e evitar intervenções desnecessárias.

Além disso, os resultados variam conforme as características da pele, a intensidade das alterações e a técnica utilizada.

“O objetivo deve ser preservar a identidade do rosto e melhorar a qualidade da pele e o contorno sem transformar as características individuais do paciente”, finaliza a dermatologista.

Fonte: Dra. Mônica Aribi, dermatologista, mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE, sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), e médica responsável pela Clínica Mônica Aribi. CRM-SP 53.387 | RQE 35.101.

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR

Instagram

Twitter