Hugo Lewgoy – Foto: Divulgação

Escovar os dentes faz parte da rotina de boa parte da população, mas, na percepção dos dentistas, o cuidado ainda costuma parar por aí. Uma pesquisa realizada pela Curaprox em parceria com a Holding Comunicações ouviu 239 profissionais e mostrou que 63,2% apontam a falta de uma rotina adequada de higiene como o principal fator que prejudica a saúde bucal dos brasileiros.

O levantamento “Hábitos, percepções e desafios da saúde bucal no Brasil”, realizado entre abril e setembro de 2026, revela ainda que 20,1% dos entrevistados consideram a falta de acompanhamento odontológico o maior entrave. Para 10%, o principal problema está na alimentação rica em açúcar ou ultraprocessados, enquanto 6,7% citam o baixo acesso à informação.

Os dados representam a percepção dos dentistas entrevistados, e não uma avaliação clínica direta da população brasileira.

“As pessoas estão cada vez mais abertas a rotinas completas de autocuidado para o bem-estar (pele, exercícios, dieta), mas isso não ocorre durante a higiene oral, que ainda se restringe ao básico quando, na verdade, também exige etapas complementares. Existe um descompasso entre a complexidade da cavidade oral e a simplicidade da rotina adotada pela maioria das pessoas. Apesar de uma escovação bem feita ser fundamental, sabemos hoje que esse cuidado, sozinho, não é suficiente para controlar totalmente o biofilme oral e prevenir doenças”, explica o cirurgião-dentista Dr. Hugo Lewgoy, consultor científico da Curaprox Brasil.

Como os dentistas avaliam a saúde bucal

Quando questionados sobre a condição geral da saúde bucal dos brasileiros, 56,1% dos profissionais a classificaram como regular. Outros 27,6% responderam ruim, enquanto 13,8% consideraram boa. Apenas 0,8% avaliaram como excelente e 1,7% como muito ruim.

Além de favorecer o surgimento de cáries, mau hálito e doenças periodontais, uma higiene inadequada pode levar a processos inflamatórios na boca. Segundo Lewgoy, alterações periodontais também podem estar relacionadas a repercussões sistêmicas. Por isso, o acompanhamento odontológico e a investigação individual são importantes, especialmente diante de inflamações persistentes.

Limpeza entre os dentes é a etapa mais esquecida

Entre os cuidados avaliados pela pesquisa, a limpeza interdental aparece como a mais negligenciada, segundo 62,3% dos dentistas ouvidos.

“Essa lacuna na saúde oral está, principalmente, nas áreas em que a escova não alcança. A região interdental concentra uma quantidade significativa de biofilme oral e é ponto de partida de grande parte das cáries e doenças das gengivas. Por isso, a limpeza interdental deve ser encarada como parte essencial da rotina, e não como um complemento opcional”, explica o cirurgião-dentista.

De acordo com o profissional, o fio dental pode não alcançar todas as superfícies entre os dentes, sobretudo em determinadas anatomias dentárias.

“O ideal é realizar esse cuidado com escovas interdentais, como a Curaprox CPS Prime, que permitem a desorganização do biofilme oral em regiões totalmente inacessíveis pelo fio dental. Muitos dentes, especialmente os posteriores, possuem uma depressão de forma côncava na região interdental que apenas a escova interdental é capaz de higienizar.”

A escolha do recurso mais adequado, no entanto, deve levar em consideração o espaço entre os dentes e a orientação do cirurgião-dentista.

Enxaguatório exige atenção à fórmula

Os enxaguatórios também podem fazer parte da rotina em situações específicas, mas a composição merece atenção. Nem todas as formulações têm indicação para uso contínuo.

“O produto deve oferecer ação antibacteriana eficaz, mas, ao mesmo tempo, ser seguro para a mucosa oral, sem causar efeitos adversos a longo prazo. Para uso diário, são recomendadas opções sem clorexidina, comumente usada em enxaguatórios orais, mas responsável por efeitos colaterais como pigmentação do esmalte dental e alterações do paladar a longo prazo”, diz o cirurgião-dentista.

Lewgoy também recomenda observar a presença de álcool e lauril sulfato de sódio nas formulações e cita uma opção da marca para determinadas rotinas de cuidado.

“Uma opção é o PerioPlus Zero, que traz Citrox® como alternativa à Clorexidina. O Citrox® é composto por bioflavonóides naturais com efeito antisséptico, antifúngico e antiviral, ajudando a reduzir o biofilme e equilibrar a saúde oral sem prejudicar os dentes. Por isso, pode ser utilizado a curto ou longo prazo”, detalha o Dr. Hugo Lewgoy.

Língua ainda fica de fora da rotina

A pesquisa também mostra que a higienização da língua permanece pouco incorporada ao dia a dia. Para 39,3% dos dentistas, poucos pacientes realizam esse cuidado e alguns o fazem de maneira inadequada. Outros 23% afirmam que muitos higienizam a região, porém de forma incorreta, enquanto 21,8% dizem que quase nenhum paciente realiza a limpeza.

“Na língua, existem fissuras e irregularidades que exigem cerdas mais rígidas para higiene correta. A escova também deve ter um perfil baixo, para não provocar ânsia, e ter uma superfície circular que se adapte à forma da língua sem provocar desconfortos”, acrescenta o cirurgião-dentista, que indica produtos como a escova TUNG Brush utilizada em combinação com o TUNG Gel.

“A ação mecânica das cerdas da escova, somada às substâncias ativas do gel, inibem a formação desses gases de odor desagradável”, detalha.

A higiene da língua ajuda principalmente na remoção de resíduos e do biofilme lingual, que pode contribuir para o mau hálito.

Até o creme dental entra na escolha

Além da técnica de escovação, o profissional chama atenção para a formulação dos produtos usados diariamente.

“Hoje existem formulações mais modernas de creme dental que respeitam o equilíbrio da microbiota oral e auxiliam nos mecanismos naturais de defesa da boca. Produtos formulados com enzimas lácteas, como o creme dental Enzycal, além de exercer ação antibactericida, ainda promove o estímulo da produção de saliva, o que oferece mais proteção à boca. Outro ponto para se atentar é sobre a presença de Lauril Sulfato de Sódio (LSS), um tipo de detergente que provoca espuma, mas favorece o ressecamento da mucosa oral e prejudica o equilíbrio da microbiota, além de predispor ao surgimento de aftas e irritações”, diz o cirurgião-dentista.

Mais do que aumentar o número de produtos utilizados, os dados reforçam a importância de uma rotina adequada às necessidades de cada pessoa, associada a consultas periódicas com o cirurgião-dentista.

Fontes:
Pesquisa “Hábitos, percepções e desafios da saúde bucal no Brasil” — realizada pela Curaprox em parceria com a Holding Comunicações, entre abril e setembro de 2026, com 239 dentistas no Brasil.
Dr. Hugo Lewgoy — cirurgião-dentista e consultor científico da Curaprox Brasil.

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