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Foto Divulgação

Conhecido do público por seus trabalhos como ator e modelo, com destaque para a novela “Amor à Vida” (2013), da TV Globo, e, mais recentemente, “A Brilhante Vingança”, produção vertical do Kwai Brasil lançada em 2025, Lucas Malvacini vive hoje uma nova fase profissional. Após enfrentar um período de profunda transformação pessoal entre 2022 e 2023, em que passou por um quadro depressivo, ganhou 10 quilos e precisou reconstruir sua relação com o próprio corpo e com a própria mente, Lucas encontrou no wellness um novo propósito de vida.

A mudança ganhou ainda mais força ao conhecer a jornalista especializada em turismo Anna Laura Wolff, com quem se casou em 2026. Ao lado da esposa, Lucas percorreu diversos países, observando diferentes culturas de bem-estar e estudando como hábitos simples fazem parte do cotidiano. Um dos lugares que mais o impactou foi Bali, na Indonésia, referência mundial em wellness, onde aprofundou sua visão sobre autocuidado, espiritualidade, conexão com a natureza e equilíbrio entre corpo e mente.

Dessa jornada nasceu a Rotina dos Lanús, filosofia de vida inspirada no conceito de “Lanú”, presente na obra “A Voz do Silêncio”, de Helena Blavatsky, que representa o discípulo em constante evolução. Baseado em seis pilares — jejum; movimento e corrida; banho frio (cold therapy); meditação e breathwork; leitura; e mentalidade estoica —, o projeto propõe transformar corpo e mente por meio do essencial, sustentado pela disciplina e pela constância. Hoje, esse conceito se expandiu para um ecossistema que reúne comunidade, blog, e-book e conteúdos sobre estudos científicos relacionados aos hábitos, além da Lanú.Lab, experiência imersiva voltada ao desenvolvimento físico, mental e emocional.

Em entrevista exclusiva ao Glamurama, Lucas fala sobre a mudança de carreira, o processo de reconstrução pessoal e como transformou sua própria história em uma missão de inspirar pessoas a viverem com mais equilíbrio, consciência e propósito.

Você construiu uma carreira na televisão e na moda. Em que momento percebeu que o wellness deixaria de ser um interesse pessoal para se tornar sua profissão?

Nunca acordei pensando: “Vou trabalhar com wellness”. Eu só queria voltar a gostar da pessoa que via no espelho. Eu vinha de uma fase em que tinha perdido a autoestima, a disciplina e a direção. Comecei a reconstruir minha vida através de hábitos simples: correr, jejuar, tomar banho frio, ler, respirar melhor. Aos poucos, fui recuperando algo muito maior do que o físico: recuperei a confiança em mim mesmo.

Quando comecei a compartilhar essa rotina, percebi que as pessoas não queriam apenas saber o que eu fazia. Elas queriam sentir o que eu estava vivendo. Foi aí que entendi que o wellness não seria apenas parte da minha vida. Ele seria o meu propósito.

A Rotina dos Lanús nasceu a partir da sua própria experiência. Qual era a principal mensagem que você queria transmitir quando criou esse movimento?

A Rotina dos Lanús não nasceu para ensinar alguém a tomar banho frio ou correr uma maratona. Ela nasceu para lembrar que a qualidade da nossa rotina determina a qualidade da nossa vida. Hoje, existe uma busca enorme por atalhos: a dieta perfeita, o suplemento da moda, a motivação do momento. Mas a transformação quase nunca acontece em um grande evento. Ela acontece nas pequenas escolhas que você repete todos os dias.

A mensagem sempre foi essa: disciplina não limita. Disciplina devolve liberdade. Quanto mais você governa a própria rotina, menos a ansiedade, o impulso e o caos governam você.

Em seus textos, você diz que “fitness te dá um corpo, wellness te dá uma vida”. O que existe por trás dessa frase?

Fitness pode transformar a forma como você se parece. Wellness transforma a forma como você vive. Você pode ter um corpo bonito e, ao mesmo tempo, dormir mal, viver ansioso, depender de estímulos o tempo todo e não conseguir estar presente com quem ama. Quando eu falo em wellness, estou falando de energia, clareza mental, recuperação, relações saudáveis, propósito e longevidade. O corpo continua sendo importante, mas ele deixa de ser o objetivo. Passa a ser a consequência de uma vida bem construída.

A Expedição Lanú.Lab surgiu para levar essa filosofia para além do ambiente digital. O que você espera que as pessoas levem para casa depois de viver essa experiência?

A maior transformação da Lanú.Lab não acontece durante os quatro dias da expedição. Ela acontece quando a pessoa volta para casa. Meu objetivo nunca foi criar uma viagem bonita para o Instagram. Eu queria criar um ambiente onde as pessoas lembrassem do que são capazes quando reduzem o excesso de estímulos e voltam a viver o básico com intenção. Se alguém voltar respirando melhor, dormindo melhor, passando mais tempo com a família, usando menos o celular e entendendo que disciplina é um ato de autocuidado, a missão já foi cumprida.

O banho de gelo faz parte da sua rotina. O que essa experiência te ensinou e por que você acredita que ela vai muito além da recuperação física?

O gelo me ensinou uma das lições mais importantes da minha vida: nem todo desconforto precisa ser evitado. A gente foi condicionado a buscar conforto o tempo inteiro, mas é justamente no desconforto voluntário que descobrimos do que somos feitos. Quando você entra em uma banheira de gelo, não vence pela força. Vence pela calma. Aprende a respirar quando o corpo quer fugir, a permanecer quando a mente manda desistir.

Essa habilidade não fica dentro da água. Ela aparece numa conversa difícil, num problema no trabalho, numa perda, numa decisão importante. O gelo deixou de ser uma prática física para se tornar um treino diário da minha mente. Se você não tem acesso a uma banheira de gelo, comece com um banho frio ao acordar. Se, ainda assim, for muito, tome o seu banho normalmente e, nos 30 segundos finais, experimente a ducha fria. Aos poucos, vá aumentando o estímulo para 45 segundos, 60 segundos, até se acostumar totalmente com o desconforto.

Você viajou por diversos países estudando diferentes culturas de wellness. O que essas experiências, especialmente em Bali, mudaram na sua forma de enxergar o bem-estar?

Viajar mudou completamente a minha definição de wellness. No Brasil, muitas vezes, ainda tratamos a saúde como uma reação: esperamos adoecer para cuidar do corpo ou buscamos hábitos saudáveis apenas quando queremos mudar a aparência. Em lugares como Bali, percebi outra lógica. Wellness não é um evento. Não é um produto. É uma cultura. Está na forma como as pessoas acordam, comem, trabalham, descansam, se movimentam e se relacionam. Voltei entendendo que longevidade não se constrói em uma consulta médica. Ela se constrói na rotina. Foi essa visão que trouxe para a Rotina dos Lanús.

Depois de viver essa transformação, qual é o legado que você espera construir daqui para frente?

Eu não quero ser lembrado como alguém que incentivou as pessoas a tomar banho frio ou correr maratonas. Quero ser lembrado por mostrar que uma vida extraordinária nasce de hábitos ordinários repetidos com consistência. Se a Rotina dos Lanús conseguir fazer com que alguém volte a dormir melhor, recupere a saúde, fortaleça uma família, inspire um filho pelo exemplo ou descubra que disciplina é um caminho para a liberdade, então já terá valido a pena. O meu trabalho nunca foi sobre wellness; sempre foi sobre ajudar as pessoas a retomarem o controle da própria vida.

 

Fotos: Divulgação

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