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A vida de Gabriela Kulaif inspirou um filme. Disponível na Apple TV, BitterSweet é baseado na história real da atriz brasileira com o marido, o ator, diretor e roteirista Steven Martini, que recebeu o diagnóstico de autismo já na vida adulta. No longa, Gabriela interpreta uma personagem inspirada nela mesma e divide a cena com nomes como William Baldwin e Erik Marmo. Mas, para além das câmeras, existe outro universo que faz parte da sua rotina em Los Angeles há mais de duas décadas: o da espiritualidade.

Praticante de Kundalini Yoga, Reiki e outras técnicas de bem-estar, Gabriela conta que vive em uma cidade onde meditação, breathwork e terapias energéticas deixaram de ser um nicho e passaram a fazer parte do cotidiano, inclusive entre artistas. Na visão da atriz, essa é uma das diferenças mais marcantes entre Los Angeles e os grandes centros brasileiros.

“Los Angeles é o maior centro urbano de yoga, espiritualidade e wellness nos EUA. A maior parte dos angelinos pratica yoga, meditação ou alguma atividade ligada à cura e ao bem-estar. É um estilo de vida perfeito para mim, que desde a época em que morava em São Paulo já era ligada a essas práticas.”

Ela faz questão de destacar que o Brasil também possui uma forte conexão com a espiritualidade, embora a forma de vivê-la seja diferente.

“O povo brasileiro também é muito espiritualizado. Tenho amigos aqui que vão para a Amazônia vivenciar as práticas de cura dos indígenas, como o rapé e o uso de ervas e plantas medicinais.”

Ainda assim, acredita que existe uma distância quando o assunto é incorporar essas práticas ao dia a dia.

“Mas, comparando grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, Los Angeles está muito à frente nessa área. Aqui existe uma enorme comunidade de pessoas do mundo inteiro que compartilham esses interesses. Minha healer (curandeira) favorita, por exemplo, é alemã.”

Para Gabriela, o preconceito em torno do tema ainda é um obstáculo no Brasil.

“Sinto que ainda existe preconceito no Brasil. Já em Los Angeles acontece quase o contrário: se você não é espiritualizado, muitas vezes não se encaixa no lifestyle da cidade.”

Demi Moore, Orlando Bloom e Alanis Morissette

Foi justamente por fazer parte desse universo que a atriz acabou dividindo experiências com alguns dos maiores nomes de Hollywood.

“Fiz um workshop de Kundalini Yoga uma vez sentada ao lado da Demi Moore. Isso foi há uns 15 anos. O Orlando Bloom já fez aula na minha classe de Kundalini. Fiz um curso de cura ao lado da Alanis Morissette (‘Ironic’). Já fui contratada para fazer Reiki em um set de fotografia para a Harley-Davidson há mais de 15 anos.”

Ela acredita que esse contato com a espiritualidade também transformou a maneira como lida com uma profissão marcada pela exposição e pela constante busca por aprovação.

“A espiritualidade é o nosso encontro com o nosso EU maior, nossa parte divina. Quando criamos consciência de quem somos e por que estamos aqui, nos fortalecemos e tudo à nossa volta fica mais leve, pois sabemos que nossa felicidade está dentro de nós.”

“Atuar em inglês é trabalho triplicado”

Além de viver uma fase intensa com BitterSweet, Gabriela também comemora o espaço conquistado no mercado internacional. Segundo ela, atuar em inglês exige um preparo que vai muito além da interpretação.

“Atuar em inglês é trabalho triplicado! Tenho que decorar as falas, mas também praticar a pronúncia e entender o sentido do que estou falando em uma língua que não é a minha. Com certeza me senti vitoriosa de atuar em dois longas em inglês.”

Depois da experiência em produções internacionais, ela já sabe quais personagens gostaria de encontrar nos próximos projetos.

“Amo comédia e drama! A maioria dos elogios que já recebi foi por cenas muito engraçadas ou muito dramáticas.”

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