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Foto Divulgação

Em um mundo onde a hiperconexão dita o ritmo da rotina, o autor e especialista em comportamento André Carvalhal propõe um manifesto pelo resgate do agora. Através de uma colaboração inédita com a Papel Craft, nasce o Clube Offline, uma coleção que transforma conceitos de atenção plena em objetos tangíveis, como jogos, cadernos de criatividade e acessórios que incentivam a pausa.

O lançamento acontece em sintonia com o novo livro de Carvalhal, “A alegria em ficar de fora”. Na obra, o autor explora o conceito de JOMO (joy of missing out), contrapondo-se à ansiedade digital para exaltar o prazer da desconexão consciente. Mais do que produtos, a parceria materializa rituais de convivência e reflexão, convidando o público a trocar o piloto automático pelo toque, pelo olhar e pela criação manual.

Abaixo, André Carvalhal detalha a filosofia por trás desse movimento e como o design pode ser um aliado na busca por uma vida com mais propósito e menos ruído digital.

Seu novo livro contrapõe o medo de ficar de fora ao prazer de se desconectar. Como você percebe que essa transição influencia a forma como nos relacionamos com as redes sociais e com o próprio tempo?

A gente, durante muito tempo, acreditou que precisava estar em todos os lugares, fazer tudo e participar de tudo para ser visto e lembrado. Isso acabou criando essa sensação de que a gente não pode perder nada; o FOMO vem daí. A proposta do livro não é uma desconexão total, mas a busca por um equilíbrio e por um uso mais consciente. Por quê? Quando estamos presentes em tudo, acabamos tendo uma presença fragmentada e, muitas vezes, não estamos verdadeiramente presentes. Então, estar em muitas plataformas, fazer muita coisa e querer estar em todos os lugares traz uma série de consequências físicas, emocionais e mentais. Isso vem se tangibilizando na forma de doenças, problemas de saúde mental e vício, entre diversas outras complicações em pessoas que têm um uso crônico de internet. Quando falamos em ter equilíbrio e usar com intenção e pensamento crítico, eu digo que, muito mais do que sair do Instagram, minha intenção com esse livro é fazer as pessoas saírem do piloto automático. Quando saímos do automático, estabelecemos uma relação diferente com o tempo, pois passamos a não ser mais reféns dele; passamos a ter novamente o controle e a nos relacionar com tudo, com as pessoas e, principalmente, com a gente de uma forma diferente também.

A coleção que você criou com a Papel Craft é um convite para desacelerar e se reconectar com o presente. Quais foram os maiores desafios de transformar conceitos de presença e atenção plena em produtos tangíveis?

Não diria que tínhamos um desafio, mas sim um desejo. Quando falamos de tudo que nos prende às redes sociais e aos aplicativos, não podemos negar que são coisas que nos trazem alegria e prazer. Eu costumo fazer um paralelo com a alimentação: uma pessoa que ama comer pizza, hambúrguer e chocolate, se você diz que ela só pode comer alface de uma hora para outra, isso não será sustentável. O mesmo acontece com as redes sociais. Nessa busca por equilíbrio, não adianta eu virar para todo mundo e falar “vá ler um livro”, porque tem gente que não gosta de ler. O equilíbrio dessa pessoa talvez não esteja na leitura; ela pode se obrigar a ler, entediar-se e acabar gerando um excesso no momento do retorno às telas. Com isso na cabeça, pensamos em coisas que realmente dessem alegria às pessoas. Nosso desejo era criar produtos que se conectassem verdadeiramente com o público, com um apelo estético, de design e artístico muito forte, porque isso é uma interseção de valores meus e da Papel Craft. No jogo de damas, por exemplo, pensamos: “não vamos fazer um jogo bobo”. Como fazer o jogo de damas mais legal de todos, que dê vontade de jogar? E o dominó? Enquanto a pessoa brinca, ela está criando diversas formas artísticas e imagens. Esse foi o nosso desejo: criar coisas que tivessem sentido e um apelo de recompensa, assim como a internet nos proporciona.

A parceria com a Coquetel transforma algo simples, como papel de presente, em uma experiência interativa com caça-palavras e palavras cruzadas. Como surgiu essa ideia de ressignificar o ato de presentear e que tipo de conexão você espera provocar entre quem dá e quem recebe o presente?

Foram muitos os desejos que nos levaram a materializar esse produto que, no final, acabou virando um item de “mil e uma utilidades”. Primeiro, tenho uma preocupação muito grande com embalagens que acabam virando lixo. A Papel Craft já tem a preocupação de criar embalagens que podem ser reaproveitadas como caixas, mas, quando falamos de um papel de presente, a vida útil é muito curta. Esse era um insight: como criar papéis reaproveitáveis? No meio disso, veio o desejo que direcionou a colaboração com a Coquetel: como transformar a experiência individual do caça-palavras e da cruzadinha em algo coletivo? No início, pensamos em fazer um caderno gigante para reunir as pessoas em torno dele. No fim das contas, juntamos uma coisa com a outra e foi um casamento perfeito. O papel de presente serve para embrulhar, de forma inusitada, mas depois que você desembrulha, não vai necessariamente jogá-lo fora. Você pode enquadrar, transformar em pôster ou usá-lo para o jogo, jogando com outras pessoas, já que ele é grande. A ideia foi essa e o resultado ficou muito feliz.

Além de incentivar pausas offline, você também trabalha com branding e design para sustentabilidade. Como as experiências offline e a consciência ambiental podem dialogar com o mundo digital que vivemos hoje?

Quando falamos em design para sustentabilidade, temos a preocupação de criar tudo da forma mais sustentável possível. Toda coleção que eu penso e crio hoje leva isso em conta: como diminuir resíduos e aumentar o tempo útil do objeto. A Papel Craft é reconhecida pela qualidade e durabilidade, o que é uma premissa minha ao me conectar com marcas. Na minha concepção, não adianta fazer um movimento de desconexão se aquilo não for bom para as pessoas e para o planeta. Por outro lado, o uso excessivo das redes estimula muito o consumismo e a exposição a desejos que não são, necessariamente, nossos. Existem efeitos colaterais emocionais que levam as pessoas a consumirem para “tapar buracos” interiores. Ali existe um movimento que colabora com a insustentabilidade. Então, não adianta irmos para o offline se não pensarmos na sustentabilidade do que estamos produzindo. Isso foi uma condição importante para nós.

Se você pudesse escolher uma única palavra ou gesto da coleção Clube Offline que resumisse o espírito do seu livro, qual seria e por quê?

A palavra com certeza seria Alegria. O livro fala disso; o nome é “A alegria em ficar de fora”, não somente pela relação com o JOMO, mas porque trago a percepção de que, se estamos envolvidos com algo que nos traz prazer e recompensa, só conseguimos substituir isso por algo que também nos traga alegria. Não podemos fazer uma troca injusta. Minha proposta é estimular que as pessoas busquem o que de fato lhes dá prazer. A coleção seguiu esse caminho: temos a canga para a praia, a palavra cruzada, o dominó, itens para memória e escrita, o caderno de criatividade e as cartas para o futuro. Além de alegria, eu diria que essa coleção nos faz ver o passado, o presente e o futuro com mais presença. Cada pessoa pode encontrar alegria em um desses tempos, e quisemos propor exatamente isso.

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