Foto: Ju Coutinho

O Rock in Rio chega à segunda semana com mais uma sequência de encontros entre diferentes gerações e estilos na Cidade do Rock. Neste sábado (12), nomes como Maroon 5, Demi Lovato, J Balvin, Pedro Sampaio, Mumford & Sons, João Gomes e Criolo estão entre os destaques da programação.

Por trás das câmeras, acompanhar tudo o que acontece nos palcos exige repertório, improviso e um olhar capaz de traduzir para quem está em casa aquilo que vai além da transmissão. Há mais de uma década à frente de coberturas musicais do Multishow, Guilherme Guedes acompanhou também as transformações na maneira como o público consome festivais e se relaciona com seus artistas favoritos.

Em conversa com o GLMRM, o jornalista fala sobre essa mudança, relembra entrevistas que marcaram sua trajetória, conta o que procura observar em um show além da performance e ainda indica um nome da nova música brasileira que merece atenção.

Você está à frente das transmissões do Multishow faz mais de uma década. Qual foi a principal transformação que você percebeu na forma de cobrir música ao vivo nesse período?

Sem dúvida, foi o avanço das redes sociais. No começo ainda era algo muito novo, e hoje é consolidado: as pessoas assistem à TV acompanhando a segunda tela, como chamamos. Isso mudou muito a forma de nos comunicarmos, porque muitas vezes estamos falando de artistas que o público em casa já conhece ou está acompanhando pelas redes sociais. Acho que mudou a forma de conversar com o público.

Depois da internet e das redes sociais, passamos a ter um diálogo muito mais próximo e direto, saindo daquela coisa formal do apresentador na TV conversando com quem está em casa para uma relação quase como dois amigos que não estão no mesmo espaço, mas trocando uma ideia. No Multishow, especialmente, temos espaço para trazer essa leveza e essa espontaneidade. A maior mudança que senti nesse período foi essa.

O que essa experiência acumulada muda na sua preparação para uma transmissão da dimensão do Rock in Rio?

A maior diferença é que, a essa altura, já conhecemos o festival, conhecemos muitos artistas, entendemos o que o público quer ver e o que não quer, que tipo de coisa funciona para levarmos para uma transmissão e que tipo de informação é legal levar ou não.

Ao longo desses anos, a gente acerta muito, aprende muito, mas erra muito também. Acho que, a cada experiência nova, chegamos mais preparados e mais tranquilos para fazer um bom trabalho.

O que um jornalista musical enxerga em um show que talvez passe despercebido para quem está assistindo como fã?

Eu, pelo menos, tento procurar e levar para quem está em casa a conexão que o artista cria com o público ali. A coisa mais legal da música ao vivo é o fato de você estar cercado de várias centenas ou milhares de pessoas, e estar todo mundo compartilhando aquele momento, vendo aquele show e curtindo a mesma música.

Muitas vezes, apesar de quem está em casa estar vendo os ângulos da transmissão, tudo em altíssima qualidade, não tem esse feeling, essa sensação. O que eu gosto muito de tentar levar para as pessoas é destacar esse momento: aquele momento em que você vê o artista cantando no palco e tem alguém na grade chorando; a pessoa que você está vendo desde cedo esperando aquele show começar, emocionada de ver o show que ela queria tanto ver acontecendo. Esse tipo de experiência é o que eu acho mais legal de levar.

Qual foi a entrevista de festival que ficou marcada na sua memória?

Desta edição do Rock in Rio, os headliners do primeiro dia são o Foo Fighters. Eu os entrevistei duas vezes já, inclusive uma delas no Rock in Rio, em 2019. Especialmente a primeira vez foi muito impactante, porque foi em um show que eles fizeram no Rio de Janeiro e que o Multishow transmitiu, lá no Maracanã.

Eu fiquei em uma sala esperando para fazer a entrevista e eles estavam ensaiando na sala ao lado. Fiquei uns trinta minutos ouvindo eles ensaiando e passando músicas. Depois veio a banda toda conversar no camarim e foi uma conversa superleve, superdivertida.

Eu estava no começo da minha carreira e foi uma banda que, quando eu era mais novo, escutava muito. Eu toco bateria, então o Dave Grohl sempre foi uma referência. Estar lá, vivendo aquele momento, entrevistando eles e levando essa experiência de alguém que também é fã para outros fãs que estavam assistindo foi uma experiência muito marcante. Eles estão nesta edição do Rock in Rio, então é inevitável lembrar deles.

Que artista você apresentaria para alguém que ainda não conhece e diria: “você precisa prestar atenção nesse nome”?

Eu diria para essa pessoa assistir ao Experimente, meu programa no Bis, em que fazemos esse trabalho de levar artistas novos para a TV. Tem todas as temporadas no Globoplay. Em outubro vamos estrear uma temporada nova.

Vou representar a minha terra: tem uma dupla lá de Brasília chamada Akhi Huna (A-K-H-I H-U-N-A). Eles fazem uma mistura, um som muito gostoso de ouvir. É algo que funciona tanto para quem curte MPB quanto para quem curte uma coisa mais swingada. Eles têm influências eletrônicas, têm ascendência árabe e usam um pouco… É algo muito original, muito especial.

Eu sou de Brasília também, e Brasília ficou muito marcada por aquela geração do rock dos anos 80, depois vieram os Raimundos e perpetuaram essa coisa. Mas Brasília é um lugar com artistas muito ricos, de várias propostas musicais. Tem a Letícia Fialho, que também participou do Experimente e é de lá. Tenho muito orgulho de ser de Brasília e acredito muito neles, então vou indicar eles.

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