
Emendando trabalhos no teatro e com diferentes fases da carreira disponíveis simultaneamente no streaming, Isabella Santoni vive um daqueles momentos em que passado e presente se encontram. Depois de encerrar a temporada de “Baixa Sociedade”, ao lado de Luiz Fernando Guimarães, e de protagonizar “O Cravo e a Rosa – O Espetáculo” com Dudu Azevedo, a atriz pode ser vista em produções que ajudam a contar sua transformação diante das câmeras.
No Globoplay, estão títulos como “Malhação: Sonhos”, “Ligações Perigosas”, “A Lei do Amor”, “As Canalhas” e a quarta temporada de “A Divisão”. No Prime Video, Isabella aparece em “DOM”, na pele de Viviane, integrante-chave do grupo comandado por Pedro Dom.
Mais do que reunir títulos de diferentes momentos, essa seleção mostra uma característica que atravessa sua trajetória: a vontade de não permanecer presa a uma única imagem. Da jovem impulsiva que conquistou uma geração em “Malhação” a personagens dramáticas, de época e inseridas no universo policial, Isabella passou por gêneros, registros e contextos bastante distintos.
Karina marcou a estreia de Isabella como protagonista em “Malhação: Sonhos”
Antes de assumir personagens de época, enfrentar tramas policiais ou entrar no universo de “DOM”, Isabella Santoni conquistou o público como Karina em “Malhação: Sonhos”. Exibida entre 2014 e 2015, a novela marcou sua ascensão ao estrelato.
Na trama, Karina é filha de Gael, vivido por Eriberto Leão, irmã de Bianca, personagem de Bruna Hamú, e uma jovem apaixonada por artes marciais. Determinada a provar seu talento no Muay Thai, ela tem personalidade forte, impulsiva e pouco afeita às convenções, características que renderam à personagem o apelido de “esquentadinha”.
A história também ficou marcada pelo romance entre Karina e Pedro, vivido por Rafael Vitti. Os dois começam a relação entre provocações e conflitos, até que a implicância se transforma em paixão. O casal ganhou o apelido de “Perina” e rapidamente se tornou um dos fenômenos daquela temporada de “Malhação”.
A repercussão ultrapassou a exibição original. Mais de dez anos depois, Karina e Pedro voltaram a ganhar destaque no Globoplay com uma nova versão da história do casal, lançada em 2026 no formato de novelinha vertical. A produção reúne 50 capítulos curtos e reapresenta a trajetória de Perina para uma nova geração, ao mesmo tempo em que recupera uma história lembrada por quem acompanhou “Malhação: Sonhos”.
A novela original também está disponível no Globoplay, permitindo revisitar não apenas o romance, mas toda a trajetória da personagem.
“Ligações Perigosas” abriu espaço para outros registros
Depois do sucesso de “Malhação: Sonhos”, Isabella começou a ampliar seu repertório. Um dos primeiros movimentos nessa direção aconteceu em “Ligações Perigosas”, minissérie exibida pela Globo em 2016 e posteriormente disponibilizada no Globoplay.
Inspirada no clássico francês “As Ligações Perigosas”, de Choderlos de Laclos, a produção transporta para o Brasil da década de 1920 uma história marcada por sedução, manipulação, desejo e disputas de poder.
Isabella interpreta Isabel D’Ávila de Alencar na juventude. Na fase adulta, a personagem passa a ser vivida por Patrícia Pillar. A escolha das duas atrizes permite acompanhar diferentes momentos de Isabel, desde os primeiros anos até a mulher que se tornaria posteriormente.
Jovem, transgressora e consciente do efeito que exerce sobre os homens ao redor, Isabel está distante do universo de Karina. O papel também levou Isabella a uma produção de época, com figurinos, comportamento e construção visual completamente diferentes.
Em “A Lei do Amor”, uma transformação radical
Ainda em 2016, Isabella encarou outra mudança. Em “A Lei do Amor”, exibida no horário nobre da Globo, interpretou Letícia, personagem que enfrentava uma batalha contra a leucemia.
Filha de Helô, vivida por Cláudia Abreu, e Tião, personagem de José Mayer, Letícia também vive uma história com Tiago, interpretado por Humberto Carrão.
Para tornar a caracterização mais realista, Isabella decidiu raspar os próprios cabelos. A transformação chamou atenção antes mesmo da estreia e se tornou uma das imagens associadas à personagem.
O papel, porém, ia além da doença. Letícia também enfrentava conflitos familiares, dificuldades nas relações amorosas e dilemas próprios, permitindo que Isabella explorasse um registro mais dramático na televisão.

Um trabalho anterior à fama em “As Canalhas”
Entre os títulos que podem ser revisitados no Globoplay está também “As Canalhas”, série originalmente exibida pelo GNT e lançada em 2014, ainda no início da carreira de Isabella.
Inspirada no livro “Canalha, substantivo feminino”, a produção apresenta histórias independentes protagonizadas por mulheres e explora, entre humor e drama, relações, conflitos e comportamentos.
Isabella aparece no episódio “Laura, a Filha Fiel”, interpretando Laura. Na história, a jovem vive com a mãe, Ethel, personagem de Malu Valle, que dedica boa parte da vida à filha.
O conflito começa quando Ethel encontra um novo namorado e Laura passa a disputar novamente a atenção da mãe. A situação ganha novos contornos quando a própria jovem demonstra interesse pelo companheiro dela.
Na época, Isabella tinha 18 anos e cursava Artes Cênicas. Hoje, o episódio funciona como um registro de um período anterior à popularidade conquistada pouco depois.
“A Divisão” leva Isabella para uma trama policial
A variedade de personagens continua em “A Divisão”. Na quarta temporada da série policial do Globoplay, Isabella interpreta Marcela, jovem da Zona Sul do Rio de Janeiro que estava com Richard Rozenbaum quando ele foi sequestrado.
A personagem se torna importante para a investigação justamente por ter estado ao lado de Richard no momento do crime. Enquanto os agentes da Divisão Antissequestro tentam avançar nas buscas, Marcela passa a fazer parte do desenvolvimento do caso.
O papel coloca Isabella em um universo diferente das novelas e minisséries de época que havia feito anteriormente. Aqui, suspense, investigação e consequências de um sequestro conduzem a narrativa.
Em “DOM”, uma personagem distante das primeiras protagonistas
Se em “A Divisão” Isabella está envolvida com uma investigação criminal, em “DOM” ela muda de perspectiva. Na produção do Prime Video, interpreta Viviane, uma das integrantes da quadrilha de Pedro Dom.
Inspirada na história de Pedro Dom, a série acompanha um jovem de classe média do Rio de Janeiro que se envolve com o crime e se torna conhecido por comandar uma quadrilha especializada em assaltos a residências de luxo.
Gabriel Leone interpreta Pedro, enquanto Flávio Tolezani vive seu pai, Victor Dantas. A produção alterna a trajetória do protagonista com a relação entre pai e filho e os impactos de suas escolhas sobre a família.
Viviane está inserida no universo de crimes, drogas e violência que atravessa parte da narrativa e se torna uma das figuras importantes do grupo.
Para construir a personagem, Isabella passou por uma preparação específica. Fez aulas de pole dance e buscou referências do início dos anos 2000 para se aproximar do universo e do período retratados pela série.
“DOM” teve três temporadas e chegou ao fim, como previsto, em 2024. O trabalho marcou uma fase mais adulta da trajetória da atriz e se tornou um de seus projetos de maior destaque no streaming.
As três temporadas estão disponíveis no Prime Video.
A transformação também passa pelo teatro
Essa disposição para experimentar não ficou restrita à televisão e ao streaming. Nos últimos anos, Isabella também passou a investir de maneira mais intensa no teatro.
Em “O Cravo e a Rosa – O Espetáculo”, assumiu Catarina, personagem eternizada por Adriana Esteves na novela de Walcyr Carrasco exibida pela Globo nos anos 2000. Nos palcos, formou par com Dudu Azevedo, responsável por interpretar Petruchio.
Catarina é uma mulher de personalidade forte, independente e à frente de seu tempo. Para viver a protagonista, Isabella também passou por uma transformação visual, deixou os cabelos loiros de lado e buscou construir sua própria interpretação da personagem.
Na sequência, veio “Baixa Sociedade”, espetáculo que reuniu Isabella Santoni e Luiz Fernando Guimarães, além de Bruno Gissoni e Bruna Trindade. A montagem reforçou uma fase em que os palcos passaram a ocupar um espaço importante em sua carreira.
Assim, enquanto Isabella encara novos desafios no teatro, personagens de diferentes momentos continuam circulando nas plataformas digitais.
De Karina a Viviane
O conjunto de papéis assumidos ao longo dos anos revela uma atriz que evitou repetir fórmulas. Além dos trabalhos disponíveis atualmente no streaming, sua trajetória inclui produções como “Orgulho e Paixão”, da Globo, atualmente exibida na Globo Portugal, e o cinema, onde protagonizou “Operação Cupido”.
O reconhecimento também acompanhou essas mudanças. Por Karina, Isabella venceu o Melhores do Ano de 2015, na categoria Atriz Revelação, e o Troféu Imprensa como Revelação do Ano. Além disso, recebeu indicações ao Prêmio Contigo! de TV, ao Prêmio Extra de Televisão e ao Troféu Internet.
Dez anos depois, já em uma fase bastante diferente da carreira, o trabalho em “DOM” lhe rendeu indicação ao CCXP Awards, na categoria Melhor Atriz em Série (Brasil), e ao Prêmio Notícias da TV.
Entre projetos de grande alcance, o apreço pelos palcos e personagens que fogem do caminho mais previsível, Isabella vem construindo um percurso marcado pela experimentação. Mais recentemente, levou esse movimento também para os bastidores ao criar a Arkt Filmes, produtora pela qual já desenvolve projetos como diretora e produtora.
O que mais vem por aí?
Fotos: Thales Côrtes
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