A obra “Linha-cor”, de Delson Uchôa, ganhou uma nova leitura pelas mãos do artista visual, fotógrafo e diretor Marcos Cavallaria. Apresentado durante a última edição da SP-Arte, realizada entre 26 e 30 de agosto, em São Paulo, o filme de videoarte transforma a instalação em uma experiência audiovisual construída a partir do encontro entre cordas navais, corpos e movimento.
A produção marca o início da parceria entre Uchôa e Cavallaria e conta ainda com direção criativa de Steve Coimbra e direção de corpo e bailarinos de Victoria Oggiam. Bailarinos participam da performance, ampliando as possibilidades da obra original por meio da dança e da ocupação do espaço.
Conhecido também pela instalação imersiva “Constellation Lucis”, apresentada na exposição “Kura Para Falar de Amor – Do que somos capazes?”, Cavallaria dá continuidade à pesquisa que desenvolve entre diferentes linguagens e suportes. Em “Linha-cor”, o artista parte da materialidade da obra de Uchôa para investigar tempo, cor, corpo e deslocamento.
Do repouso ao movimento

A obra de Delson Uchôa parte de uma corda naval e trabalha a linha como desenho tridimensional. Quando está no chão, assume uma presença escultórica. Já em contato com o corpo, muda de forma e cria novas trajetórias no espaço.
“Para o filme, a minha maior inspiração veio dos inputs do maestro Delson que achou a corda a beira-mar, um presente da vida, desse ponto nasce a obra dele, Linha-Cor: a ideia, a concepção, e esse ponto é unidimensional. A partir do momento em que o ponto se expande, ele vai para o bidimensional, ao tridimensional, e vai se expandindo pelo espaço-tempo, criando harmonias da continuação, como o próprio tempo em si. Apesar de ser uma linha, o caminho não é linear, feito de curvas, nós, tensões, explosões, implosões, contrações e expansões”, explica Cavallaria.
No filme, essa ideia de expansão orienta a construção visual. A corda deixa de funcionar apenas como objeto e passa a responder aos movimentos dos bailarinos, criando desenhos que se transformam ao longo da performance.
Para Steve Coimbra, a relação entre linha e corpo está no centro do trabalho. “A linha-cor representa o traço em sua concretude. Onde é que surge a expressão ‘a pintura’? A grande linha-cor é um parangolé de chão que convida outro corpo a dominá-lo e percorrer sua própria rota. Seu próprio desenho. Ao descansar, a linha-cor toma a forma de uma escultura” afirma o curador.
Encontro entre diferentes linguagens

Ao levar “Linha-cor” para o audiovisual, Cavallaria amplia a relação entre obra, performance e registro. O resultado reúne cinema, artes visuais e dança sem transformar uma linguagem em simples suporte para a outra.
A colaboração também abre caminho para novos projetos entre Delson Uchôa e Marcos Cavallaria, com desdobramentos pensados para exposições e outros espaços dedicados à arte.
Fotos: Divulgação
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