Em Veneza, algumas chegadas começam antes mesmo do check-in. Elas surgem no caminho percorrido pelas águas da Laguna, no contorno dos palácios e na luz que muda a paisagem ao longo do dia. É nesse cenário que o Danieli, Venezia, A Four Seasons Hotel volta a receber hóspedes, agora como o quarto endereço da marca na Itália.
Localizado na Riva degli Schiavoni, o hotel ocupa uma posição privilegiada diante de San Giorgio Maggiore. No rooftop, a ilha se integra ao horizonte. Já nos quartos, o simples abrir das cortinas transforma a Laguna em uma espécie de palco particular, com barcos, cúpulas e fachadas compondo uma cena em movimento.
A reabertura inaugura uma nova fase para um dos endereços mais reconhecidos da hotelaria veneziana. No entanto, a renovação não tenta apagar as marcas do tempo. Pelo contrário, parte delas para criar uma experiência na qual história, design e hospitalidade convivem sem excessos.
“Com a reabertura do icônico Danieli, Venezia, A Four Seasons Hotel, nosso quarto endereço na Itália, inauguramos um novo capítulo na história deste palácio emblemático”, afirma Rainer Stampfer, Presidente de Operações Globais de Hotéis e Resorts do Four Seasons. “Ao lado do Gruppo Statuto, nosso parceiro de longa data, temos o prazer de oferecer aos hóspedes a oportunidade única de vivenciar a imponência de Veneza sob uma perspectiva inteiramente nova.”
Três palácios contam a história do Danieli
O complexo reúne três edifícios que atravessam diferentes momentos da história da cidade. O mais antigo deles, o Palazzo Dandolo, surgiu em 1471 como residência da nobre família veneziana. Com sua arquitetura gótica, o palácio permanece como o coração visual do hotel.
Ao conjunto soma-se o Palazzo Casa Nuova, que já abrigou o Tesouro da República de Veneza. Por fim, o Palazzo Danieli Excelsior completa a composição arquitetônica da propriedade.
Nesta primeira etapa, o Danieli reabre com 120 quartos e suítes distribuídos entre o Palazzo Dandolo e o Casa Nuova. A capacidade chegará a 168 acomodações em 2027, após a conclusão da restauração do Danieli Excelsior.
Pierre-Yves Rochon conduziu a renovação dos dois primeiros palácios. Em vez de criar uma ruptura, o designer de interiores buscou estabelecer uma conversa entre o passado do edifício e as expectativas de uma hospedagem contemporânea.
Veneza traduzida em cores, luz e materiais
A cidade aparece nos interiores de forma sutil. Verde-celadon, azul-névoa, terracota, ocre e rosa-pálido fazem referência às tonalidades da Laguna, às fachadas de mármore e aos estuques encontrados na arquitetura local.
No lobby do Palazzo Dandolo, o teto original folheado a ouro voltou a revelar seu desenho de quadrifólios sobre um fundo azul-cerúleo. Artesãos venezianos também recuperaram colunas, pedras ornamentais e a escadaria monumental, preservando a força do espaço sem transformá-lo em um cenário intocável.
Além disso, a luz natural ganhou papel central no projeto. Espelhos venezianos e superfícies reflexivas ampliam sua presença ao longo do dia, enquanto o cristal de Murano, o terrazzo e os tecidos desenvolvidos pela maison Rubelli aproximam os ambientes do saber fazer local.
A seleção de arte também evita uma leitura óbvia da cidade. Inspirado no espírito do Grand Tour, o acervo reúne gravuras, entalhes, espelhos envelhecidos e objetos decorativos. Assim, os interiores assumem uma atmosfera residencial, como se cada espaço tivesse sido formado por diferentes viagens e gerações.
Quartos concebidos para contemplar Veneza

A renovação reorganizou as acomodações e abriu espaço para quartos maiores, além de ampliar a oferta de Junior Suites e suítes de um dormitório.
Cada janela apresenta uma Veneza diferente. Algumas se voltam para a Laguna. Outras acompanham o movimento dos canais ou revelam a sequência irregular dos telhados históricos. Dessa forma, a paisagem deixa de ser apenas uma vista e passa a orientar a experiência de cada quarto.
As suítes contam com salas de estar e configurações flexíveis. Muitas delas também podem ser conectadas, o que atende famílias e grupos sem comprometer a privacidade.
Enquanto isso, a tecnologia permanece discreta. Televisões se integram a painéis com obras de arte e objetos decorativos. Cortinas automatizadas, iluminação regulável e climatização intuitiva permitem ajustar o ambiente sem interferir na identidade dos espaços.
O aperitivo veneziano visto do alto

No rooftop, o Terrazza Danieli preserva um dos rituais mais desejados de Veneza: acompanhar o fim da tarde diante da Laguna.
A renovação substituiu os acabamentos escuros por tons pastel, azul-turquesa e dourado fosco. Superfícies espelhadas refletem a luz e a paisagem de San Giorgio Maggiore. Já no terraço externo, a terracota recupera as tonalidades da fachada histórica.
O chef executivo Adriano Rausa conduz a cozinha com uma leitura atual da gastronomia italiana, sem perder o sotaque veneziano. O menu valoriza ingredientes da estação e produtores locais. Além disso, alguns pratos recebem a finalização no salão, aproximando a equipe dos hóspedes e acrescentando ritmo ao serviço.
No bar, clássicos do aperitivo italiano ganham interpretações autorais. É uma proposta que combina com o tempo particular de Veneza, onde contemplar a paisagem também faz parte da programação.
Um novo spa completa a transformação
A próxima etapa da renovação chega no final de 2026, com a abertura do Danieli Spa. O espaço terá três salas de tratamento, incluindo uma suíte para casais, além de sauna e hammam.

Com a reabertura, o Danieli se junta ao Four Seasons Hotel Milano, ao Four Seasons Hotel Firenze e ao San Domenico Palace, Taormina, A Four Seasons Hotel. Mais do que ampliar a presença da marca na Itália, o novo endereço propõe uma maneira de viver Veneza por dentro, entre palácios centenários, artesanato local e a paisagem sempre mutável da Laguna.
Fotos: Divulgação
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