Luccas Isnard (Foto: Acervo Pessoal)

O Leblon iniciou 2026 como o bairro com o metro quadrado residencial mais caro do país, atingindo R$25.777, segundo o Índice FipeZAP. Ipanema aparece logo atrás, com R$25.373 por metro quadrado e valorização de 11% em 12 meses, enquanto a Lagoa completa o pódio carioca ao figurar entre os dez bairros mais valorizados do país, com preço médio de R$17.437/m².

O desempenho chama atenção porque ocorre em um cenário macroeconômico considerado desafiador para o setor, que é a Taxa Selic que segue em 14% ao ano, encarecendo o crédito imobiliário em todo o país.

Ainda assim, o mercado de alto padrão da Zona Sul carioca não apenas resistiu, como se consolidou como o segmento mais forte do país no período, superando inclusive praças tradicionalmente valorizadas como os bairros nobres de São Paulo, nenhum dos quais ultrapassa a marca de R$20 mil por metro quadrado.

Luccas Isnard, sócio da Vizu Imobiliária, especialista no mercado imobiliário de alto padrão e profissional com mais de dez anos de atuação na Zona Sul do Rio. Formado em Direito, acompanha de perto os movimentos de valorização, oferta e demanda no mercado de imóveis de luxo da região, segundo o mesmo, a explicação está na combinação entre oferta limitada e um comprador cada vez mais qualificado.

“A Zona Sul do Rio vive uma equação simples: não existe terreno novo para construir em bairros como Leblon e Ipanema, e a demanda por esse tipo de localização só aumenta. Isso faz esses endereços terem maior capacidade de resistência aos ciclos de juros, porque quem compra ali não está comprando apenas um imóvel, está comprando escassez”, afirma o especialista.

O movimento também é reforçado pela expansão dos lançamentos de alto padrão na cidade: em 2024, o Rio de Janeiro registrou crescimento de 40,69% em lançamentos imobiliários de alto padrão, tornando-se o segundo maior mercado do país no segmento. Boa parte dessa expansão, no entanto, concentra-se fora da Zona Sul, especialmente na Barra da Tijuca, já que a escassez de terrenos nos bairros mais valorizados limita novos empreendimentos justamente onde a demanda é maior.

Segundo Isnard, esse descompasso entre oferta e procura tende a se aprofundar nos próximos meses.

“Enquanto não houver novo estoque relevante em bairros consolidados, o efeito natural é a valorização contínua. Quem está de olho em investimento de longo prazo entende que localização como essa não perde valor, mesmo em um cenário de juros altos”, completa.

Com poucos imóveis novos chegando ao mercado, propriedades bem localizadas passam a disputar uma demanda concentrada, sustentando preços elevados.

“O cenário mostra uma característica particular do mercado imobiliário de alto padrão carioca: em bairros consolidados como Leblon e Ipanema, o preço não é determinado apenas pelo custo do crédito, mas também pela combinação entre localização, escassez e demanda qualificada. Isso ajuda a explicar por que essas regiões continuam registrando valores por metro quadrado superiores aos de bairros nobres de outras capitais, mesmo diante de um ambiente de juros restritivos.” finalizou o especialista em mercado imobiliário.

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