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O Cambridge Dictionary escolheu “parasocial” como a palavra que melhor define 2025 — e não é por acaso. O termo, que antes vivia restrito a debates acadêmicos, hoje descreve um dos vínculos mais comuns (e mais mal compreendidos) da vida digital: aquela relação em que alguém sente proximidade com uma figura que, na prática, nem sabe da sua existência, seja uma celebridade, um personagem ou até uma inteligência artificial.

O interesse pelo termo disparou ao longo do ano, segundo o próprio Cambridge. Não porque as pessoas descobriram um novo conceito, mas porque perceberam que vivem dentro dele. A era dos streamers, dos stories constantes e dos modelos de IA personalizados transformou o “quase relacionamento” em rotina diária. Em 1956, Horton e Wohl diagnosticaram essa sensação nos espectadores de TV; em 2025, ela é uma arquitetura emocional contemporânea.

O que chama atenção é que “parasocial” virou palavra de uso comum exatamente quando as fronteiras entre público e privado ficaram mais borradas do que nunca. Celebridades, como Taylor Swift, calibram cada gesto como se fosse uma confissão íntima. Influenciadores fabricam acesso 24 horas por dia. E inteligências artificiais conversam de um jeito que, para muita gente, soa mais afetivo do que relações humanas desgastadas. A ligação é unilateral, mas a emoção sentida não é.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional alertam para o óbvio que ninguém gosta de admitir: essas relações podem ser confortáveis, mas também criam expectativas impossíveis e vulnerabilidades emocionais reais. Não é só uma questão de linguagem — é de saúde mental, consumo e identidade. Nomear o fenômeno não resolve o problema, mas obriga o público a enxergar o espelho.

A escolha do Cambridge, portanto, não é apenas um retrato da linguagem. É um diagnóstico social. “Parasocial” sintetiza um ano em que milhões de pessoas confundiram companhia com presença, diálogo com resposta, e proximidade com ilusão. Se 2025 fosse um sentimento, provavelmente seria isso: familiaridade sem contato.

(Crédito da imagem: Reprodução)

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