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Em um momento em que a inteligência artificial já atravessa trabalho, educação e criatividade, as conversas sobre autoconhecimento também começam a ganhar novas ferramentas. É nesse território que surge o BeDeep, aplicativo criado por Victor Stirnimann para estimular reflexões e conversas mais profundas sobre experiências, sentimentos e questões pessoais.

Filósofo formado pela USP e doutor em Psicologia Analítica pelo Jung Institute of Zurich, Stirnimann reúne mais de 30 anos de prática clínica. Além disso, atua como professor, palestrante e consultor e é um dos criadores do podcast Elefantes na Neblina.

O novo aplicativo parte justamente desse repertório. A inteligência artificial foi desenvolvida a partir da maneira como Victor conduz conversas, formula perguntas e aborda temas complexos. A intenção, segundo ele, é criar um espaço para que o usuário consiga investigar pensamentos e percepções com mais profundidade.

“É um aplicativo para você poder conversar profundamente, em primeiro lugar com você mesmo, e depois, no futuro, com os outros também. Eu programei bem esse filhinho: ele está muito parecido comigo”, conta Victor.

Uma conversa mediada por inteligência artificial

Embora o aplicativo tenha como referência o trabalho desenvolvido por Stirnimann ao longo de sua trajetória, ele faz uma distinção importante: o BeDeep não é terapia.

“E você conversa com ele e, claro, não é terapia. Mas é muitas vezes assustadoramente parecido com aquilo que a gente faz aqui. A ideia é que você pode aprofundar cada vez mais a conversa com você mesmo”, afirma.

Assim, o aplicativo se posiciona mais como uma ferramenta de reflexão do que como atendimento clínico. Não se apresenta como psicólogo, psicanalista ou conselheiro e tampouco pretende substituir o acompanhamento de um profissional.

A proposta é oferecer ao usuário um interlocutor disponível a qualquer momento para organizar pensamentos, formular novas perguntas e observar situações pessoais por outros ângulos.

Da psicologia analítica para o ambiente digital

Parte da construção do BeDeep encontra inspiração na psicologia junguiana, que atravessa a formação de Victor. Nessa abordagem, o processo de autoconhecimento envolve reconhecer aspectos da própria experiência que nem sempre aparecem de maneira evidente.

No aplicativo, essa ideia surge por meio de conversas que evitam respostas prontas. Em vez disso, a ferramenta busca devolver perguntas e estimular novas associações a partir daquilo que o próprio usuário apresenta.

Segundo Victor, o desenvolvimento do projeto também provocou mudanças em sua própria relação com a tecnologia.

“Esse aplicativo eu chamei de BeDeep, por razões óbvias. Ele mexeu bastante comigo. Me transformou. Essa é a verdade difícil: eu fiquei diferente depois de criar isso e trabalhar com ele”, diz.

A proposta dialoga ainda com uma questão cada vez mais presente na discussão sobre inteligência artificial: até onde uma máquina pode participar de conversas subjetivas sem ocupar o lugar das relações humanas ou do acompanhamento profissional?

No caso do BeDeep, a resposta está justamente na definição de seus limites. A ferramenta pretende ampliar o acesso a um determinado modo de reflexão, mantendo clara a diferença entre uma conversa mediada por IA e um processo terapêutico.

O BeDeep.ai já está disponível para uso.

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