Viajar a bordo do La Dolce Vita Orient Express significa trocar a pressa do deslocamento por uma experiência em que o próprio caminho assume o protagonismo. Em uma rota que parte de Roma, passa por Portofino e termina em Veneza, Ana Paula Carneiro acompanhou de perto uma jornada que reúne design, gastronomia, música e referências à Itália das décadas de 1960 e 1970.

A experiência começa antes mesmo do embarque. Um serviço de limousine leva os passageiros ao lounge exclusivo do trem e, na Estação Roma Ostiense, uma banda ao vivo recebe os convidados antes da partida.

Uma viagem pelo design italiano

Por dentro, o trem recupera referências da chamada Dolce Vita italiana. O projeto de interiores é assinado pelo Dimorestudio, fundado por Emiliano Salci e Britt Moran, e reúne inspirações em nomes como Carlo Scarpa, Gio Ponti e Ignazio Gardella.

Também aparecem referências ao movimento Espacialista, associado a artistas como Lucio Fontana, Agostino Bonalumi e Enrico Castellani.

Nos corredores, fotografias históricas de Marcello Geppetti ajudam a construir essa atmosfera. Conhecido por registrar personagens e cenas da Roma dos anos 1960, o fotojornalista aparece como uma das referências visuais da experiência.

Gastronomia sobre trilhos

A viagem também passa pela mesa. No Vagão Restaurante, o menu leva a assinatura do chef Heinz Beck e é acompanhado por uma seleção de vinhos.

Durante o trajeto, refeições e paisagens se alternam enquanto o trem atravessa diferentes regiões da Itália.

Uma parada em Portofino

À tarde, a composição chega a Santa Margherita Ligure. A partir dali, os passageiros seguem de minivan e barco privativo até Portofino.

O passeio pela vila inclui lugares como a Piazzetta, o Castello Brown e a Igreja de San Giorgio, além das fachadas coloridas que marcam a paisagem local.

Uma guia acompanha o grupo e adapta o percurso de acordo com os interesses dos viajantes.

De volta ao trem, a programação continua com jantar e música ao vivo. No Vagão Bar, cantora, saxofonista e pianista conduzem a noite, reforçando a atmosfera inspirada no cinema italiano.

Veneza como último ato

Na manhã seguinte, o café da manhã pode ser servido na cabine ou no Vagão Restaurante, enquanto o trem segue em direção ao Mar Adriático.

O percurso termina na Estação Venezia Santa Lucia, em Veneza. Com um dress code inspirado no glamour vintage e em Cinecittà, a chegada encerra uma experiência construída para transformar deslocamento em parte central da viagem.

Para Ana Paula Carneiro, a sensação ao desembarcar resume a proposta do percurso: “parece que vivi um filme de época, foi puramente mágico”.

 

Fotos: Nicolas Brumano

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