
As águas transparentes continuam sendo uma das imagens mais associadas às Bahamas, mas basta deixar a areia por algumas horas para descobrir outras camadas do arquipélago. História colonial, arte, gastronomia, vinhos e arquitetura entram no roteiro percorrido por Ana Paula Carneiro entre Nassau e Paradise Island.
Curadora de alta joalheria e especialista em marcas de luxo, ela reuniu alguns dos endereços que mais chamaram sua atenção durante a viagem. Entre eles estão uma adega instalada em um espaço que já funcionou como prisão, uma mansão do século 19 transformada em museu e uma destilaria instalada em uma propriedade de 1789.
“As praias são realmente impressionantes, mas o que mais me encantou foi perceber como história, gastronomia e hospitalidade convivem de forma muito natural por lá. Cada lugar tem uma narrativa própria, o que torna a viagem ainda mais rica”, conta.
O momento acompanha também o crescimento do turismo no país. Em 2025, as Bahamas receberam 12,5 milhões de visitantes, segundo o Ministério do Turismo, Investimentos e Aviação do arquipélago. O número representou alta de 11,4% em relação ao ano anterior.
Uma adega entre as paredes do século 18

No centro histórico de Nassau, o Graycliff guarda uma das surpresas do roteiro. A propriedade foi erguida em 1740 e, ao longo dos séculos, transformou-se em um hotel com apenas 16 acomodações.
Ali está a Graycliff Wine Cellar, com mais de 275 mil garrafas. Parte da adega ocupa um espaço que já funcionou como prisão durante a Guerra Civil Americana e ainda preserva grades originais.
Entre os rótulos da coleção está o raro Rüdesheimer Apostelwein de 1727.
“Caminhar por um espaço que preserva a arquitetura original da antiga prisão, enquanto abriga uma coleção construída ao longo de décadas, faz você enxergar cada garrafa quase como uma obra de arte”, compartilha Ana Paula.
Administrado pela família italiana Garzaroli desde 1973, o Graycliff também abriga restaurante comandado pelo chef Elijah Bowe, além de fábricas de charutos e chocolates abertas à visitação. Nelson Mandela e Sean Connery estão entre os nomes que já se hospedaram no endereço.

Arte dentro de uma mansão colonial
Outro ponto do percurso é a National Art Gallery of The Bahamas. O museu ocupa a Villa Doyle, mansão construída na década de 1860 e adquirida pelo governo das Bahamas em 1995.

Aberto como instituição cultural em 2003, o espaço reúne pinturas, esculturas, fotografias e trabalhos têxteis. O acervo acompanha diferentes momentos da formação artística e política do país, do período colonial à contemporaneidade.
A própria arquitetura da Villa Doyle faz parte da experiência e ajuda a contar a transformação de Nassau ao longo do tempo.
Rum com história em Nassau
Na histórica Buena Vista Estate, construída em 1789, funciona atualmente a John Watling’s Distillery.
A propriedade já recebeu personalidades como Burl Ives e Bobby Kennedy e também apareceu como locação de Casino Royale, da franquia James Bond. Hoje, o endereço produz rum artesanal e oferece degustações acompanhadas de explicações sobre envelhecimento e blends.
“É um passeio que vale reservar com calma, longe do fluxo maior de turistas”, diz Ana Paula, que sugere deixar a visita para o fim da tarde e seguir depois para um jantar nas proximidades.

Nassau a partir de sua arquitetura
Para conhecer melhor a história da capital, uma das possibilidades é percorrer seus marcos arquitetônicos em um passeio dedicado ao passado colonial e político da cidade.
Entre as paradas está o Fort Charlotte, construído em 1788 a mando de Lord Dunmore e batizado em homenagem à rainha Charlotte, mulher do rei George III.
O complexo reúne fosso, masmorras, passagens subterrâneas e 42 canhões, que nunca chegaram a ser usados em combate.
Do golfe a um passeio pelo mar

Em New Providence, Albany apresenta outra leitura das Bahamas. A comunidade fechada reúne marina, residências e um campo de golfe desenhado pelo sul-africano Ernie Els, vencedor de quatro majors.
O local recebe o Hero World Challenge, torneio organizado por Tiger Woods. Entre os nomes associados à propriedade estão ainda Mick Jagger, Alicia Keys e Justin Timberlake.
Já no mar, o roteiro muda completamente de ritmo. Um passeio de barco privativo permite observar tartarugas, golfinhos e tubarões em seu habitat natural.

O percurso também pode incluir Pig Beach, conhecida pelos porcos que nadam em direção às embarcações e se tornaram uma das imagens mais curiosas do arquipélago.
Um clássico em Paradise Island

Na vizinha Paradise Island, Ana Paula escolheu o Ocean Club, A Four Seasons Resort para a hospedagem. Inaugurada em 1962, a propriedade combina uma extensa faixa de areia com jardins inspirados em Versalhes.
Entre os endereços gastronômicos do hotel está o DUNE by Jean-Georges. Instalado diante do oceano, o restaurante é comandado pelo chef francês Jean-Georges Vongerichten, que também está à frente de uma casa no Palácio Tangará, em São Paulo.
O menu combina referências francesas, asiáticas e caribenhas, com frutos do mar e ingredientes locais entre os destaques.
“É um lugar que transmite calma desde o primeiro momento. Você toma café olhando para o mar, passeia pelos jardins sem pressa e entende por que tantas pessoas escolhem voltar”, compartilha Ana Paula Carneiro.
Entre construções históricas, arte, gastronomia e dias diante do mar, o roteiro revela uma Bahamas que vai além da paisagem mais conhecida. Um arquipélago em que o azul continua presente, mas divide espaço com histórias construídas ao longo de séculos. Club.
Fotos: Divulgação
- Neste artigo:
- Ana Paula Carneiro,
- GLMRM Viaja,
- Modo de Vida,
- Revista GLMRM,