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A relação com o próprio corpo está em constante transformação, influenciada por mudanças de comportamento, novas referências estéticas e pelo desejo de encontrar resultados cada vez mais naturais. Nesse cenário, a cirurgia plástica vai além da mudança de silhueta e exige um olhar individualizado, que considere as características, as expectativas e a saúde de cada paciente. Especialista em Mama e Contorno Corporal, o cirurgião plástico Raphael Zarur analisa as principais tendências da área, a importância de escolhas conscientes e o papel da avaliação médica na busca por resultados que respeitem a individualidade.

1. A busca por resultados naturais tem ganhado cada vez mais espaço na cirurgia plástica. Como essa mudança aparece na prática e o que os pacientes procuram atualmente?

O conceito de beleza é individual e recebe influências culturais. No consultório, percebo uma preferência crescente por resultados mais discretos e harmônicos, que valorizem as características de cada pessoa. Nas mamas, isso se reflete na procura por implantes menores, que proporcionem um colo bonito e um volume proporcional ao corpo. No contorno corporal, observo o desejo de realçar a cintura e as linhas da silhueta, com uma definição mais suave.

Para mim, a naturalidade está na coerência entre o resultado e o corpo de cada paciente. O ponto de partida é compreender o que a pessoa deseja e o que faz sentido para sua anatomia.

2. No campo da cirurgia mamária, quais são as principais mudanças nas preferências das pacientes? Como encontrar o equilíbrio entre proporção, harmonia corporal e desejo individual?

Na cirurgia mamária, percebo uma mudança nas preferências das pacientes. Muitas desejam manter um colo e um decote bonitos, mas com implantes menores e cicatrizes mais discretas. Para encontrar esse equilíbrio, é fundamental ter amplo conhecimento técnico e avaliar qual é a melhor abordagem para cada caso, além de estabelecer um bom alinhamento entre cirurgião e paciente.

O cirurgião precisa compreender as queixas e os desejos da paciente, avaliar seu biotipo e sua anatomia e, a partir disso, orientar sobre as possibilidades técnicas e as expectativas de resultado. Em resumo, é preciso individualizar cada cirurgia. Cada paciente é única, e cada cirurgia também deve ser.

3. O contorno corporal ganhou ainda mais visibilidade nos últimos anos, especialmente com as mudanças de peso associadas a novos tratamentos. Quais cuidados e possibilidades devem ser considerados nesses casos?

Os cuidados começam durante o processo de emagrecimento. O acompanhamento médico e nutricional, a preservação da massa muscular e a adoção de hábitos saudáveis ajudam a preparar o paciente para essa nova fase. A suplementação, quando necessária, deve ser orientada individualmente. Esses cuidados contribuem para minimizar as alterações estéticas decorrentes da perda de peso.

O tratamento depende das características de cada caso, como a presença de gordura localizada, a perda de elasticidade da pele ou o excesso de pele. Algumas tecnologias podem contribuir para melhorar a qualidade e a retração cutânea em situações específicas, enquanto a lipoaspiração atua na gordura localizada e pode ser associada a recursos que favoreçam uma maior retração da pele. Quando há excesso significativo de pele, pode ser necessária uma cirurgia para removê-lo, como a abdominoplastia ou a miniabdominoplastia.

4. As redes sociais ampliaram o acesso a referências estéticas, mas também podem criar expectativas pouco realistas. Como você orienta os pacientes para que entendam os limites e as possibilidades de uma cirurgia plástica?

É muito importante ter um olhar crítico e entender que cada corpo é único e, por isso, os resultados também são individuais. As referências podem ajudar o paciente a comunicar o que deseja, mas precisam ser avaliadas com senso crítico. Uma fotografia pode ser influenciada pela pose, pela iluminação, pela edição e até pelo estágio de recuperação da pessoa retratada. Além disso, cada corpo tem características próprias: o resultado de uma amiga ou de uma celebridade não pode ser reproduzido como um molde.

Na consulta, o importante é transformar essas referências em uma conversa sobre o que a pessoa admira naquela imagem e o que é possível alcançar em seu caso. Isso inclui abordar cicatrizes, assimetrias, recuperação e limites do resultado.

Também oriento os pacientes a pesquisar a formação e as especializações do profissional, além de verificar seu registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e seu Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Cirurgia Plástica. Infelizmente, ainda há pessoas sem a devida qualificação, inclusive não médicos, oferecendo procedimentos cirúrgicos. Por isso, é fundamental priorizar profissionais habilitados, com conhecimento técnico e compromisso com a segurança. A confiança deve se apoiar em informação e em uma avaliação individualizada.

5. A decisão de fazer uma cirurgia plástica costuma envolver autoestima e expectativas pessoais. Como diferenciar um desejo genuíno de mudança da pressão estética externa?

Essa distinção exige escuta e, muitas vezes, tempo. Na consulta, é importante entender há quanto tempo aquele incômodo existe, como ele afeta a vida da pessoa e o que ela espera que mude depois da cirurgia. Um desejo amadurecido, acompanhado de expectativas compatíveis com o procedimento, é diferente de uma decisão motivada principalmente pela cobrança de um parceiro, por comparações ou pela necessidade de aprovação externa.

Quando percebo pressão externa ou expectativas pouco realistas, prefiro dar mais tempo para a paciente refletir e assimilar as informações. Se essas questões persistirem, posso contraindicar o procedimento. A cirurgia pode contribuir para o bem-estar, mas não deve receber a responsabilidade de resolver conflitos afetivos ou garantir autoestima. A decisão precisa ser livre, consciente e partir da própria paciente.

6. Para quem considera realizar uma cirurgia de mama ou de contorno corporal, quais são os critérios mais importantes na escolha do cirurgião e os cuidados indispensáveis antes de tomar essa decisão?

Na escolha do cirurgião, considero importante ir além do número de seguidores ou da fama e pesquisar sua formação, suas qualificações e sua reputação. A consulta presencial é uma etapa fundamental desse processo, pois permite conhecer melhor o profissional, entender as opções e estratégias cirúrgicas e alinhar as expectativas em relação aos resultados. Muitas vezes, é nesse primeiro encontro que o paciente decide com quem deseja realizar a cirurgia.

Já em relação à preparação, um bom pré-operatório é essencial para aumentar a segurança do procedimento. O paciente precisa estar clinicamente preparado, com eventuais comorbidades controladas, peso estável e hábitos saudáveis. A avaliação individualizada e a adoção dos cuidados recomendados pela equipe médica contribuem para uma recuperação mais segura e adequada.

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