A preocupação com manchas na pele aparece à frente do câncer de pele quando o assunto são os efeitos da exposição solar. É o que revela uma pesquisa realizada pelo IPUPO Pós-Graduação, em parceria com a ADA TINA Italy, que ouviu 273 pessoas para entender a percepção dos consumidores sobre a fotoproteção.
Segundo o levantamento, 94,4% dos participantes associam a exposição ao sol ao surgimento de manchas. Já o câncer de pele foi mencionado por 88,8%, seguido pelas queimaduras solares (80,8%) e pelos sinais de envelhecimento, como rugas e flacidez (72%).
Embora a pesquisa não represente toda a população brasileira, os resultados mostram como a preocupação com a aparência pode influenciar os hábitos de proteção solar. Ao mesmo tempo, chamam atenção para a necessidade de reforçar a prevenção de doenças relacionadas à radiação ultravioleta.
A preocupação estética também incentiva a proteção
Para o farmacêutico Maurizio Pupo, pesquisador e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações, os resultados mostram que os participantes reconhecem diferentes consequências da exposição solar.
“O levantamento mostra que os participantes reconhecem diferentes consequências da exposição solar desprotegida, mas as manchas aparecem à frente do câncer de pele entre os problemas citados. Isso reforça a importância de comunicar a fotoproteção não apenas como uma medida para preservar a aparência, mas também como parte dos cuidados preventivos com a saúde”, explica.
A pesquisa também identificou que 81,3% dos entrevistados afirmam utilizar protetor solar diariamente. O dado sugere que o cuidado já faz parte da rotina de boa parte dos participantes.
No entanto, aplicar o produto pela manhã não significa necessariamente manter a proteção adequada durante todo o dia.
Por que tantas pessoas deixam de reaplicar o protetor solar?
Apesar da frequência de uso relatada, 64,5% dos participantes disseram que não reaplicam o fotoprotetor ao longo do dia.
O esquecimento foi a dificuldade mais citada, com 23,4% das respostas. Em seguida aparecem a inconveniência prática (20%), o desconforto provocado pelo produto na pele (15%) e a falta de tempo (14,7%).
Além disso, 13,2% dos entrevistados afirmaram desconhecer a necessidade de reaplicação.
Para Maurizio Pupo, essas dificuldades mostram que a conscientização precisa vir acompanhada de soluções que facilitem a manutenção do hábito.
“Não basta convencer o consumidor a aplicar o protetor solar pela manhã. É necessário compreender o que dificulta a continuidade desse cuidado e desenvolver formulações que se adaptem melhor à rotina das pessoas, considerando fatores como praticidade, sensorial e facilidade de aplicação”, destaca.
Proteção contra os raios UVA e UVB
Outro aspecto importante da fotoproteção é compreender a atuação dos diferentes tipos de radiação ultravioleta.
Os raios UVA estão associados ao fotoenvelhecimento e às alterações persistentes da pigmentação. Já os UVB têm relação direta com as queimaduras solares.
Por isso, os produtos devem oferecer proteção adequada contra ambos os tipos de radiação, considerando as características da pele e as condições de exposição.
A fotoestabilidade dos filtros solares também merece atenção. Essa característica está relacionada à capacidade de manter o desempenho durante a exposição à radiação.
Segundo Maurizio, a indústria tem desenvolvido tecnologias voltadas à proteção prolongada e à praticidade de uso.
Entre elas está a Solent 12HS, desenvolvida pela ADA TINA Italy, que combina filtros solares fotoestáveis. De acordo com a empresa, a tecnologia foi criada para oferecer proteção prolongada e atender consumidores que encontram dificuldades para reaplicar o produto.
Ainda assim, é importante seguir as orientações de uso e reaplicação do fabricante. A necessidade de renovar a proteção também depende de fatores como exposição solar, transpiração e contato com a água.
Protetor solar deve ser usado em dias nublados?
A pesquisa também identificou uma mudança na percepção sobre os momentos em que o fotoprotetor deve ser utilizado.
Segundo o levantamento, 65,9% dos entrevistados afirmaram aplicar o produto independentemente das condições climáticas, inclusive em dias nublados.
O cuidado é relevante porque a radiação ultravioleta continua presente mesmo quando o sol não aparece diretamente.
Além disso, a exposição acumulada ao longo dos anos contribui para alterações na pigmentação e para o envelhecimento da pele.
A proteção solar, portanto, não deve ficar restrita à praia, à piscina ou aos dias de calor intenso.
O que os resultados mostram sobre os hábitos de fotoproteção?
O levantamento foi realizado por meio de um formulário on-line, entre 15 de maio e 15 de junho, com 273 participantes.
A maior parcela dos entrevistados tinha entre 46 e 55 anos (40,3%). Em seguida, aparecem pessoas de 36 a 45 anos (32,6%) e participantes acima dos 56 anos (17,9%).
As faixas de 26 a 35 anos e de 18 a 25 anos representaram 8,1% e 1,1% da amostra, respectivamente.
Como o grupo analisado é relativamente pequeno e concentra participantes acima dos 35 anos, os resultados não podem ser generalizados para toda a população brasileira.
Ainda assim, os dados apontam uma questão importante: reconhecer os riscos da exposição solar não significa necessariamente adotar todos os cuidados recomendados.
Para Maurizio Pupo, o desafio está em aproximar a fotoproteção das necessidades cotidianas.
“Os dados mostram que existe espaço para avançar tanto na conscientização sobre os danos causados pela radiação ultravioleta quanto na criação de produtos que facilitem a adesão ao uso correto. A tecnologia e a praticidade podem contribuir para que a fotoproteção seja mantida de forma mais consistente ao longo da vida”, conclui.
Fontes
Dr. Maurizio Pupo: farmacêutico formado pela PUC-Campinas (1988), pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações, Instituto Maurizio Pupo de Educação e Pesquisa, e diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da ADA TINA. Atua nas áreas de Cosmetologia Avançada, Fotoproteção e Nutracêutica Clínica e Estética. CRF-SP 13.328.
Pesquisa: levantamento quantitativo realizado pelo IPUPO Pós-Graduação em parceria com a ADA TINA Italy, entre 15 de maio e 15 de junho, com 273 participantes.
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